Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

A miúda do cachimbo



Faltava-me ver Juno. Colmatei a falha no fim-de-semana e saí da sessão convencida. Se fosse membro da Academia, no entanto, estaria longe de votar nele para melhor filme.

De facto, as comédias politicamente incorrectas, que olham para uma situação complicada de um prisma menos usado são uma boa alternativa aos formatos já saturados e Juno é o exemplo máximo de como trazer quilos de originalidade a uma história que já vimos contada mil vezes.

Por esta altura já todos devem saber mas eu faço questão de vos relembrar. Juno é uma miúda de 16 anos do mais invulgar que já se viu por aí (será difícil encontrar-lhe uma correspondente real) que, por obra do destino, engravida de um geek.
Sim, o acontecimento é dramático, mas a explosão das notícias é encarada da forma mais tresloucada por esta adolescente que gosta de Iggy Pop and the Stooges. Primeiro tenta abortar mas, pelo caminho, encontra a activista anti-aborto mais ridícula que o cinema já criou. A asiática demove Juno da ideia. Depois, sem qualquer dúvida, acha que a melhor hipótese para o rebento que carrega é ser criado por um casal de yuppies riquíssimos. Ela (Jennifer Garner) aborrecida, cheia de regras e com um relógio biológico em contagem decrescente. Ele (Jason Bateman), o equivalente masculino e trintão de Juno, rebelde preso na rigidez da mulher que secretamente ouve Sonic Youth.

Os pais de Juno, são mais a ajudar à delícia. Brenda (Allison Janey) é a madrasta cool que dá tareias a radiologistas emproadas. Mac (J.K. Simmons) é o pai a encarar a situação da forma  "já-que-isto-está-feito-vamos-lá-para-a-frente" e a dizer coisas como "Hey, big-puffy version of Junebug" ao ver a filha entrar com uma barriga maior que ela.
Não esquecer Paulie Bleeker (Michael Cera, um dos da troupe de Judd Apatow), um geek apaixonado e em estado de transe, sem perceber bem o que lhe está a acontecer.

Juno é um desenrolar de cenários pop (do telefone em forma de hamburger aos calções de Bleek), de uma banda sonora escolhida a dedo e de textos do outro mundo que servem de motor ao filme. Ellen Page é fenomenal a encarnar esta miúda bizarra de cachimbo em punho. A merecer algum Óscar seria este e o de argumento original (o último acredito que vai levar).

Saí da sala preenchida, ainda em estado de riso com este retrato suburbano da típica adolescência irresponsável.  De Juno só há um apontamento que me apetece fazer. Diria que será quase impossível encontrarmos no mundo real uma Juno como aquela da tela e isso deve-se ao facto de se perceber que é alguém que já não lembra o que foi ser adolescente (ou então teve uma adolescência estranhíssima) a escrever o guião: a ex-stripper e blogger, Diablo Cody.

Nota: Juno venceu ontem o prémio para melhor filme nos Independent Spirit Awards.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 12:59
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There will be...

There wil be Oscars...
There will be tears...
There will be awards...

Estes têm sido os títulos de vários artigos em algumas publicações internacionais de referência nos últimos dias. Será que quer dizer alguma coisa?

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 12:19
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

No country for old men em antecipação

Falta uma semana para a estreia de No country for old men, uma tontice visto que é um dos filmes mais nomeados para os Óscares (e potencialmente o grande vencedor). Ou não será assim tão descabido no que diz respeito a receitas de bilheteiras...
Contudo, aqui a vossa amiga traz-vos já o textinho sobre o dito cujo para que possam ficar com água na boca. A missão é dizer-vos que NÃO podem, sob qualquer circunstância ou catástrofe natural, perder este no cinema. Aqui fica o artigo publicado no sítio do costume.

Os irmãos Coen fizeram a sua obra mais sangrenta sem perder o habitual humor negro e mantendo a inspiração do film noir. Este país não é para velhos é um conto sobre violência no seu mais genuíno estado. Uma viagem sincera por um Texas simultaneamente bizarro, frustrado e hipócrita onde, viver ou morrer são realidades dependentes de uma escolha banal. Cara ou coroa?

A paisagem é a de um Texas vazio, mudado, onde antes os xerifes escusavam de usar armas mas agora são assassinados dentro dos seus próprios gabinetes por psicopatas de sangue frio.

Um caçador em exercício da sua profissão encontra um amontoado de cadáveres com uma simpática quantidade de heroína a fazer-lhes companhia e uma mala recheada de notas e decide levá-la para casa na esperança de que ninguém note.

Os planos eram bonitos na teoria mas, na prática, há dois assassinos muito pouco amigáveis atrás da desejada maquia, determinados a não deixar que o cowboy Llewlyn (Josh Brolin) tenha descanso.

A premissa de Este país não é para velhos pode parecer simples mas em filme dos irmãos Coen que, por acréscimo, é baseado num livro de Cormac McCarthy (vencedor de um Pulitzer e escritor com predilecção pelo sinistro) nada é linear.

O filme é, mais do que uma espécie de western soturno à mistura com thriller sobre assassinos, um retrato sobre as violências do mundo e sobre os últimos redutos da luta pela justiça.

Anton Chigurh (Javier Bardem) é o símbolo para a primeira imagem. Um sociopata assassino com a calma de uma preguiça e o calculismo de um advogado. Chigurh é homem estranhíssimo que mata porque sim, escolhe as suas vítimas atirando a moeda ao ar e carrega consigo uma botija de gás que mata com tanta eficácia como arromba fechaduras. A personagem de Tommy Lee Jones surge em representação da segunda (a justiça). É um xerife em pré-reforma, meio apagado, sem grande esperança no bem do mundo mas que, ainda assim, vai à luta quando é necessário.

São estes dois homens em dois extremos diferentes que perseguem Llewelyn. Um para o matar, outro para o ajudar.

Depois há Carson Wells (Woody Harrelson), o outro assassino, mais benemérito do que Chigurh, igualmente sedento pelo dinheiro mas disposto a poupar a vida a Llewelyn.

No country for old men é o mais exímio exercício da dupla Joel e Ethan Coen. Reconhecidos por pular entre géneros (da comédia screwball ao film noir), os irmãos atingem em nesta fita um máximo de violência. É, sem dúvida, o seu filme mais sangrento mas não deixa de conter algumas passagens com o seu típico humor negro. Joel Coen admite, “é muito negro – e essa é a nossa característica distintiva. O livro também é bastante violento, bastante sangrento. O filme é, provavelmente, o mais violento que já fizemos”. É, de facto. Mas é também o melhor.

Comecemos pela suprema exibição de Javier Bardem, que dificilmente se poderá chamar de “secundária”, com um sotaque irreconhecível, um penteado bizarro, uma expressão inabalável e uma total entrega. Já venceu o Globo de Ouro e muitos garantem que lhe deverá valer o Óscar para melhor actor secundário.

Vire-se o foco para o trabalho irrepreensível dos Coen, tanto de escrita como de realização. A técnica é a de uma câmara atenta ao detalhe, sem precisar de recorrer a artimanhas para ser perfeita. As imagens estão ao serviço da história que, ora é cortante, complexa, ora é entretenimento de colar o espectador à cadeira.

Não há o que falhe em Este país não é para velhos. O ambiente desenrola-se numa tensão que delicia e que faz querer mais mortes. No final, apetece aplaudir a mestria dos Coen, a fotografia de Roger Deakins, a banda sonora de Carter Burwell e a interpretação inacreditável de Bardem.

Acumula oito nomeações para os Óscares. Vencer nas principais, será a prova de que a Academia está aberta a novos olhares e de que, na verdade, os lobbies não são assim tão fortes. Ainda se premeiam os melhores.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 11:38
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

Os Óscares na Empire


Nesta altura, já se sabe, é difícil ouvirmos falar em outro assunto para além dos Óscares (nós que somos um tanto viciados nestas coisas do cinema).

Eu própria tenho abusado no tema. No entanto, achei que valeia a pena deixar aqui este artigo, parte essencial do dossier da Empire sobre os Óscares, com os 80 melhores momentos da história da cerimónia.

Em primeiro lugar a Empire colocou um momento muito recente. Não sei se o elegeria como o melhor episódio dos Óscares mas é um a destacar. Martin Scorsese a receber a estatueta naquilo que a publicação designa de "Justice at last".

Vejam tudo aqui.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:11
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O prometido dossier sobre os Óscares



Deixo-vos o link para o site que, com alguns bons dias de trabalhinho, eu e o Gonçalo construímos para o SAPO. Ele vai ser actualizado diariamente e, durante a noite dos Óscares, vamos estar em cima do acontecimento.

Convido-vos a uma visita aqui.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 14:53
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Domingo, 17 de Fevereiro de 2008

A surpresa na Berlinale

Quando todos anunciavam a vitória de There will be blood no Festival de Berlim, eis que um filme brasileiro se mete no meio e surpreende todos. O júri escolheu Tropa de Elite para levar até casa o Urso de Ouro.

O filme de José Padilha, que retrata as histórias de 12 antigos oficiais de uma unidade paramilitar que aterroriza as favelas brasileiras, tem sido alvo de polémica com membros da mesma unidade real constantemente em luta para que o filme não seja exibido.

Para Paul Thomas Anderson ficou, desta vez, reservado o prémio de melhor realizador, depois de, em 2000, ter vencido o Urso de Ouro com Magnólia. Será um prenúncio?

Deixo-vos um vídeo sobre o melhor filme da Berlinale.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 10:14
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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Os mensageiros nos Óscares

Falta sensivelmente uma semana para a cerimónia mais esperada do cinema e as novidades vão aparecendo. Já sabemos que o apresentador vai ser o Deus da comédia, Jon Stewart, e agora passámos a saber a lista de personalidades que irão ter a tarefa de entregar as estatuetas.

Não é a lista completa mas já serve para dar uma ideia de quem andará pelo palco do Kodak Theatre. Contem com:
Alan Arkin, Jennifer Hudson, Helen Mirren and Forest Whitaker, Amy Adams, Jessica Alba, Cate Blanchett, Josh Brolin, Steve Carell, George Clooney, Penelope Cruz, Miley Cyrus, Patrick Dempsey, Cameron Diaz, Colin Farrell, Harrison Ford, Jennifer Garner, Tom Hanks, Anne Hathaway, Katherine Heigl, Jonah Hill, Dwayne Johnson, Nicole Kidman, James McAvoy, Queen Latifah, Seth Rogen, Martin Scorsese, Hilary Swank, John Travolta, Denzel Washington e Renée Zellweger.

Aproveito para dizer que o SAPO vai ter online, no próximo dia 20, um dossier especial sobre os Óscares 2008, com toda a informação sobre o que se vai passar, previsões e imagens inesquecíveis. Ao cuidado desta vossa cara e deste vosso caro.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:54
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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Almoço de nomeados

Falta menos de um mês para os Óscares. Ainda sem notícias sobre avanços/recuos nas negociações com os argumentistas mas com uma quase certeza de que a cerimónia se vai realizar, os nomeados reuniram-se em Los Angeles para o tradicional almoço de candidatos às estatuetas. Passam a conhecer-se melhor e vendem o seu peixe.

Deixo-vos uma pequena fotogaleria do El Pais.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 14:48
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Post para parabenizar

(e reparem na abundância de "Ps" no título deste post)

Carlos do Carmo venceu o Goya para melhor canção original. O Elite deixa os parabéns ao primeiro português a vencer um dos prémios máximos do cinema em Espanha. O fadista disse à Lusa que "foi uma surpresa a nomeação" e que é "maravilhoso ter recebido este prémio".

Aqui fica o "Fado da saudade".

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 13:33
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Um agradecimento para recordar

Ontem, ao receber o prémio máximo do Screen Actors Guild, Daniel Day-Lewis fez questão que o discurso fosse notado. Tal feito não seria difícil, dada a escassez de agradecimentos nesta temporada de prémios, mas ele fê-lo com um sentido de responsabilidade digno de nota.

Talvez o recordemos por recordar Heath Ledger quando, daqui a uns anos, de vez em quando, se falar do actor que calculamos ficar imortalizado na imagem do Joker. Eu fiquei convencida. A plateia também. E vocês?

Nota: Depois do vídeo, aconselho uma passagem por aqui. Christopher Nolan deixou na Newsweek a sua homenagem a Ledger. Notável!

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:35
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Um sinal para No Country for old men?

O filme dos irmãos Coen venceu, ontem à noite, o prémio máximo do Director's Guild of America. Geralmente, este galardão costuma ser um sinal para aquele que poderá ser considerado o melhor filme na cerimónia dos Óscares. No ano passado, Martin Scorsese também o venceu e levou para casa a estatueta dourada com a inscrição "motion picture".

Joen Coen, com a descontracção do costume, reagiu desta forma ao prémio:

"Eu e o Ethan temos uma prateleira lá em casa onde pomos os prémios que temos conquistado ao longo dos anos e ao qual chamamos o canto do nosso ego. Quando ele está a ter um mau dia começar a dar lustro às estatuetas e sente-se logo melhor."
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:46
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The Oscars: O processo de fabrico



Afinal, como se fazem as estatuetas? O processo é demorado mas, no final, o brilho ofuscante do ouro e a inscrição nos pé do senhor parecem ser recompensa suficiente para todo o trabalho.

Vejam aqui uma jeitosa galeria de fotos.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 14:44
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