Ele talvez seja o único tipo que poderia ter dado um melhor James Bond do que Daniel Craig (ainda vai a tempo). Ela é aquela senhora de sucesso que tanto se sai muito bem como nos deixa a perguntar porque raio é ela uma estrela de tal dimensão. E os dois estão no novo filme de Tony Gilroy, estreado nas nossas salas na semana passada, sobre uma dupla de espiões ligada a dois gigantes do mundo farmacêutico (mais especificamente na área da cosmética). Clive Owen e Julia Roberts são o casal em causa e os dois terão de trabalhar em conjunto para levar a cabo um elaborado golpe.
É inegável que os dois consomem o ecrã, por mais que não seja pelos seus encantos naturais. Ele com aquele ar de brutinho sacana com classe, ela pelo tipo de criatura sofisticada com neurónios que faz os homens cair a seus pés. Mas, apesar de esta dupla ter mais pinta no ecrã do que o casal Smith (Pitt/Jolie), não está tão em sintonia quanto os seus antecessores. No decorrer de Dupla Sedução, o espectador poderá sentir que cada um puxa mais para seu lado do que contribui para o bem maior.
Mas deixemos o casal de protagonistas e centremo-nos no filme de uma forma mais generalista. Dupla Sedução tem o claro objectivo de ser uma daquelas fitas que surpreendem a audiência a cada momento, com twists quase de cena a cena e reviravoltas em abundância. No entanto, o argumentista e realizador Tony Gilroy (responsável pelos guiões da série Jason Bourne e pela realização de Michael Clayton) parece ter ficado demasiado obcecado com essa estrutura, tão fechado nela, que nem se apercebeu que, afinal, tudo acaba por ser tão previsível quanto o resultado de um jogo da selecção nacional.
E se há cenas tão deliciosas como aquela em que Tom Wilkinson e Paul Giamatti brigam que nem crianças numa sequência em câmara lenta, há outras em que desejamos que despachem as conjecturas adivinháveis à distância e nos levem directamente para os créditos finais.