Imaginemos que a maior parte dos espectadores que já foram ou irão ver Watchmen - Os Guardiões sabem ao que vão. Que sabem que este não é um vulgar filme de super-heróis (é a antítese disso), que é adaptado de uma B.D. muito (MUITO) celebrada assinada por Alan Moore e Dave Gibbons e realizado pelo visionário do digital, Zack Snyder. Meus caros, se fazem parte desse grupo, Watchmen é o filme que querem ver.
Já se, por algum acaso, andam a fazer sestinhas permanentes ou não ligam nada a estas coisas do cinema, provavelmente vale a pena perceber do que se trata este fenómeno chamado Watchmen para não levarem uma murraça no estômago durante a longa sessão de duas horas e 43 minutos.
Antes de tudo o resto, convém salientar que esta vossa cara amiga não leu a obra que deu origem ao filme. Sabe que se dizia ser inadaptável e um perigo com muitos riscos associados mas não a leu. É por isso que a minha humilde apreciação apenas pode falar-vos de Watchmen enquanto filme. E aí, meus caros, não há nada a temer (também não deverá haver no campo da adaptação mas aí já não me meto).
Watchmen - Os Guardiões é basicamente um filme sobre heróis sem super-poderes (à excepção de um) e muito moralmente duvidosos que se propõem a ajudar a salvar o mundo quando, na verdade, já não há qualquer esperança para ele. Nem para eles. O que acontece pelo caminho é um conto sobre ética, moral e a crua natureza humana. Uma história sobre o cinismo e o puro egoísmo e falso moralismo de um passado fictício, num ano de 1985 em que Nixon governava os EUA, num mundo à beira de uma III Guerra Mundial.
Ora pelo meio disto, uma cooperativa de heróis pouco ortodoxos tenta fazer o melhor que pode com a percepção que tem...Nada sem polémica.
Zack Snyder parece ter sido a escolha ideal para recriar este mundo de maravilhas digitais bem compensadas com uma história compassada, bem articulada e sem as habituais montagens frenéticas presentes no género. O elenco é meio caminho andado para o sucesso da fita com nomes como Patrick Wilson, Jackie Earle Hailey ou Billy Crudup a darem forma da maneira mais ideal aos seus personagens. E, meus amigos, a banda sonora é um mimo e faz um contraponto essencial com toda o universo fantástico que por ali paira.
É para ver e pedir mais...