Alexandre Valente é um produtor com a cabeça bem assente na terra no que diz respeito à qualidade dos seus projectos enquanto obra cinematográfica. Ele sabe que tipo de filmes fazem dinheiro por terras lusas e é nisso que investe, mesmo se tal facto significar que o resultado vai ser...como dizer...trágico. Apesar de tudo, tem o mérito de, geralmente, não demonstrar qualquer problema em assumir tal opção.
Second Life é, para ele, uma excepção. Talvez por ter sido um projecto pessoal que Valente co-realizou e com um argumento da sua autoria, o distanciamento não lhe permite ver que, na prática, não há uma única escolha em Second Life que não tenha sido feita a pensar naquilo que supostamente agradará aos espectadores (a atirar para todo o tipo de público para ver se pega em algum). Na verdade, talvez essas escolhas possam funcionar como reverso da medalha e apenas levar às salas de cinema uma primeira leva de espectadores.
Até percebo que o lado voyeurista de muitos possa suscitar algum interesse na fita, mas dizer, com toda a honestidade, que Second Life é um bom filme, será, com certeza, uma afirmação muito pouco sincera.
Aqui ficam algumas entrevistas feitas por mim e pelo Luís Salvado aos envolvidos no projecto.