Aos 78 anos, Clint Eastwood não só continua em forma como está na melhor forma de sempre. Só este ano, assina a realização de A Troca e Gran Torino e protagoniza este último, naquele que muitos dizer ser provavelmente o seu último grande trabalho como actor. Em A Troca, Clint dirige, Clint impõe a sua visão clássica, Clint dá a Angelina Jolie o melhor papel que alguma vez a actriz fez. Seja pela inacreditável história (se não soubéssemos que era verídica não acreditaríamos), pela interpretação soberba da protagonista ou pela realização de encanto clássico que Eastwood sempre traz, A Troca é uma incontornável fita deste início de ano concorrido.
Numa rua da Los Angeles no final dos anos 20, invadimos a casa de Christine Collins, acompanhando por momentos a sua relação com o pequeno filho Walter. Tudo no cinzento de Clint Eastwood numa reconstituição de época impressionante. Mas estes são os escassos momentos em que Walter é uma personagem presente.
No dia seguinte, quando a mãe regressa a casa do trabalho, Walter tinha desaparecido.
A Troca é um agonizante percurso centrado na luta de uma mãe em busca do seu filho e, mais do que isso, no seu duelo com a polícia que lhe devolveu a criança errada. Ela afirma, eles desmentem, ela é a mãe frágil, eles são poderosa e corrupta autoridade.
Angelina Jolie faz um trabalho impressionante de mergulho no desespero que, mesmo que não lhe valha um Óscar, valerá quase decerto uma nomeação. Clint Eastwood, sempre a surpreender, dirige o filme com mão precisa, tal como habitualmente, fazendo uso do seu talento clássico sem precisar de recorrer a grandes artifícios para compor imagens inesquecíveis.
A Troca não é o melhor que Eastwood já dirigiu mas é uma das obras mais bem conseguidas deste actor/realizador que, cada vez mais, se revela um sábio na segunda função.