Evitem lá isto, se fazem favor!
Parece haver uma enorme dificuldade por aí em distinguir acção da boa de montagem frenética sem tempo para perceber o que estamos a ver. Agora sim, as notas sobre Babylon A.D.
Diz quem sabe que o tempo mínimo para se perceber claramente uma imagem é de três segundos. Na acção supostamente frenética de Babylon A.D. Mathiew Kassovitz quis quebrar a regra e arriscou-se a provocar cegueira nos espectadores. O filme é uma visão catastrófica do futuro cujo destino está nas mãos de um herói às três pancadas com a missão de proteger uma salvadora embevecida com os seus abdominais. Parece que o mundo está mesmo para acabar.
Ficção científica com muita acção pelo meio e uma premissa cujo potencial foi desperdiçado. Thoorop (Vin Diesel), um mercenário a soldo, é contratado por Gorsky (um Gérard Depardieu de cara deformada) para escoltar a jovem e misteriosa Aurora (Mélanie Thierry) para fora da Rússia e até aos Estados Unidos. A acompanhar a rapariga está a freira Rebeka (Michelle Yeoh, que geralmente consegue sempre trazer algo de positivo ao mais fraco dos filmes), uma protectora que se recusa a revelar qualquer pormenor sobre Aurora. Acontece que a jovem de rosto inocente tem mais que se lhe diga e representa para a humanidade bem mais do que uma cara bonita.
O potencial deste que até poderia tornar-se num interessante filme-catástrofe a explorar os abusos do Homem é atirado para uma espiral de acção sem alma nem coração, de montagem à velocidade de um carro de Fórmula 1 e com algumas cenas disparatas que não lhe acrescentam qualquer ponto. Vin Diesel falha redondamente o papel de herói salvador e nem a sempre fantástica Michelle Yeoh consegue salvar a desgraça anunciada.
Quanto ao realizador Mathew Kassovitz, com títulos interessantes na sua carreira como O Ódio e Assassino(s) mas que, nos últimos tempos, não tem tido a melhor das sortes (Gothika é um dos maus exemplos), volta a não conseguir um resultado mais do que sofrível. O cineasta e actor já confessou em entrevista que a produção da fita correu com demasiados problemas e que o produto está muito distante daquele que tinha idealizado. Acreditamos que está mesmo e preferimos lembrar-nos do realizador na sua face de actor em O Fabuloso Destino de Amélie.