Como habitualmente à quinta-feira, começa a chuva de notas sobre as estreias. Como estou bem disposta vamos inaugurar as festas com Nim's Island. Deixo-vos o artigo saído do sítio do costume.
Quem disse que as ideias mais simples já não convenciam ninguém? Nesta ilha há animaizinhos, uma criancinha sonhadora e um pai aventureiro. Para trás, muito terreno a desbravar. Há dias em que o mais infanto-juvenil e ingénuo dos contos pode saber bem ao mais sério dos adultos. Junte-se um pouco de criatividade visual a uma história simples, some-se Abigail Breslin e Jodie Foster e o que podia ser medíocre passa a apetecível. Recomendam-se umas férias nesta ilha.
Nim (Abigail Breslin) é uma miúda de 11 anos com uma vida muito invulgar. Mora com o pai (Gerard Butler) numa ilha deserta (e secreta, tanto quanto possível) numa reclusão iniciada depois da perda da mãe. Jack Rusoe, o pai, é biólogo marinho e faz das cerca de 490382 espécies diferentes que por ali pairam o seu objecto de estudo enquanto Nim vai lendo pilhas de livros e estudando o que aprenderia numa escola com a fauna do sítio a fazer-lhe companhia. Um mundo fechado com algum, mas muito escasso, contacto com a civilização, onde os dois construíram o seu paraíso e onde a pequena Nim fantasia com o seu herói aventureiro (na literatura), Alex Rover (também com corpo de Gerard Butler).
Claro que falta um ingrediente para trazer desgoverno ao sítio e é por isso que surge o nome de Alexandra Rover (Jodie Foster), agorafóbica sem limites, não sai de casa há uns bons séculos e coloca na personagem dos seus livros, o dito aventureiro, todas as características que gostaria de ter mas não tem.
É certo que o filme, baseado no livro de Wendy Orr, se destina a um público de idade tenra e, por isso, não terá muito de realista e andará muito perto do tom «algodão doce», mas os pais que acompanharem os mais pequenos ou os adultos que estiverem com espírito de tarde de Domingo, não sairão desiludidos.
Abigail Breslin tem sido notável nos seus desempenhos (em Little Miss Sunshine – Uma Família à beira de um ataque de nervos, Sinais e Para sempre, Talvez) e aqui volta a não dar motivos para que alguém a considere apenas uma estrela juvenil sem grande futuro, dando cor à ilha com a sua deliciosa inocência e talento ainda em potência.
Depois há Jodie Foster, que não estamos habituados a ver no lado cómico das coisas mas que, aqui, parece ter embarcado no projecto só pelo gozo da coisa. E sente-se o júbilo a cada cena em que ela mostra as suas impaciências ou lava as mãos com o gel desinfectante pelo qual tem uma insana obsessão.
Faça-se a mala e dê-se um pulinho a esta ilha. Claro que, como em quaisquer férias, só sabe bem ficar fora da civilização por uns dias. Porque este A Ilha de Nim não chegou ao mundo para fazer história no cinema. Apenas é uma boa escapadela para descontrair do stress da cidade.