Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

A guerra de um político sem vergonha



Chama-se Charlie Wilson's war. O título foi infelizmente traduzido para Jogos de poder. Esqueçam o título português e CORRAM até ao cinema. É que se este Charlie Wilson's war tivesse estreado há uma semana atrás estaria entre os melhores de 2007. Desta forma, guardo o nome num post it para, daqui a um ano, o colocar no pote do balanço.

Em Hollywood, muito se tem feito nos últimos tempos para mostrar o desagrado com a presença militar americana em algumas zonas de conflito. Vimos, por exemplo, Peões em Jogo de Robert Redford e, estreado também esta semana, Redacted de Brian De Palma. Mas Charlie Wilson's war tem as nobres assinaturas de Mike Nichols na realização e Aaron Sorkin como argumentista e nunca poderia percorrer o caminho mais previsível (não que algum dos anteriores o faça).

Concentremo-nos na narrativa. Charlie Wilson (Tom Hanks) é um congressista do Texas com assento no Parlamento. Trata da atribuição de dinheiros para tudo e mais alguma coisa. Fora do fato burocrático, Charlie é um mulherengo, gosta de passeios em Las Vegas, de linhas de coca e de um bom copo de velho whisky.  No seu escritório, não há empregados do sexo masculino. Só mulheres.  É a personagem política mais inovadora desde há muito. De uma densidade psicológica tremenda como, de resto, todas as presentes no filme o são.

Estamos em plena Guerra Fria e, no Afeganistão, o exército russo acabou de invadir as fronteiras. Os rebeldes são poucos e mal preparados para enfrentar uma poderosa União Soviética. Charlie Wilson, diz-se, movimentou secretamente MUITO dinheiro para que estas milícias pudessem enfrentar os grandes e expulsá-los do país.

Depois há Joanne Herring (uma Julia Roberts com o penteado mais estranho que alguma vez lhe vimos). É uma socialite de sotaque texano, cheia de dinheiro e influência que se junta à causa afegã. A unir as hostes está um agente da CIA de nome difícil de pronunciar, Gus Avrakatos (Philip Seymour Hoffman) que, por se identificar com o estilo de vida menos regrado de Wilson, vai ser o último membro a seguir na equipa.

Charlie Wilson's war é foge à moda pós-11 de Setembro e antecipa-se. Conta um episódio passado há 30 e muitos anos que, de alguma forma, foi um ponto de partida para o ódio da Al Quaeda em relação aos americanos. Depois daquele momento, o Afeganistão foi deixado ao abandono porque já não interessava aos Estados Unidos fornecer dinheiro a uma causa que não era a deles.

É sublime nas insinuações, nunca demagógicas, nunca simples gritos de contestação/lições de moral. E para que seja o fantástico filme que é, a fita de Mike Nichols recorreu a algo muito inteligente. Não quis contar uma narrativa generalista. Centrou-se numa micro-história e como pano de fundo, e apenas como pano de fundo, manteve os bitaites sobre as implicações políticas do episódio contado. Deu um poder portentoso às personagens e fez com que, imediatamente, nos ligássemos a elas.

Vão. Já. Esta noite se não puderem antes. E lembrem-se do que dizia o Zen master.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 10:04
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Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2008

Sean Penn a liderar o júri em Cannes



Depois de Stephen Frears, será o actor/realizador/activista Sean Penn a comandar a mesa do júri no Festival de Cannes.

Com isto 2008 poderá bem ser o ano de Sean Penn. O seu filme, Into the wild, anda a piscar o olho ao que de mais prestigiado se oferece no campeonato de prémios. Pelo meio, vai ganhando mais espaço nos média com a sua campanha anti-Bush. Agora, chega a confirmação de que, entre 14 e 25 de Maio, as atenções estarão viradas para ele quando for altura de atribuir prémios no mais famoso festival de cinema do mundo.

Penn já se mostrou contente com a honra e salientou que "há filmes cada vez mais inteligentes, provocadores, comoventes e imaginativos feitos por cineastas talentosos: pode ter nascido uma nova geração de realizadores". Este oscarizado senhor acrescentou ainda que "o Festival de Cinema de Cannes tem sido há muito o epicentro da descoberta destas novas vagas de cineastas de todo o mundo."

Veremos como vai encaixar no papel.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 18:41
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Última tabela de 2007

Cá vai a tabela de estreias, cortesia do Cinema Notebook, correspondente ao último mês de 2007. Na coluna cujo espaço está habitualmente reservado para o realizador do mês, uma novidade: o filme do ano. Vénia feita ao Sr. Eastwood.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 14:20
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2008

Olhando para trás

Ainda em maré de balanços, dou por mim a ler alguns artigos sobre quem se deu melhor nas receitas de bilheteira, quem arrecadou os votos da crítica e quem conseguiu essas duas árduas recompensas de obter.

Chego à conclusão de que, mesmo não chegando a primeiros lugares nas tabelas gerais, Ratatui é o filme de 2007 que reune maior consenso junto das duas trincheiras. O público correu aos cinemas para o ver. A crítica reclamou para ele a distinção de "clássico reinventado". A Pixar estabeleceu ainda mais a sua posição de fábrica de sonhos.

Com este post coloco um ponto final em 2007 com a devida homenagem a Remy. Cá em casa já canta o DVD (honrosa prenda de Natal de amigas que me conhecem muito bem). Por aqui fica a canção do filme, cantada por Camille, Le festin. Agora morram de vontade de o ver ou rever.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:55
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Feliz Ano Novo do Elite

Que 2008 tenha começado da melhor forma e que continue cheio de coisas boas.
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publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 16:41
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