
Não direi que ando viciada mas agrada-me ver a série de Domingo à noite na Fox Life. Chama-se
Pushing Daisies - no habitual estilo de tradução português,
Malmequer, bem-me-quer - e acompanha um pasteleiro com um dom muito particular. O
pie maker (adoro a expressão inglesa) consegue, apenas com um toque, trazer um defunto de volta à vida. Problema: ao segundo toque do mágico, a pessoa volta a morrer. Por outro lado, se o segundo toque não acontecer, outra criatura viva morre em lugar do cadáver ressuscitado. Acontece que um dos mortos a quem o senhor das tartes devolveu a vida é Chuck, o seu amor liceal. Os dois compõem o par romântico da série. Um que não se pode tocar.
A premissa é das mais curiosas que temos visto nos últimos anos e afasta-se do formato televisivo
"vou-roer-as-unhas-até-ao-próximo-episódio" a que produtos soberanos como
24 e
Lost nos habituaram em tempos mais recentes.
Por outro lado, inspira-se (ou como diria alguém que eu conheço, "rouba") o universo visual/imaginário com que Jean-Pierre Jeneut deixou o mundo apaixonado pela altura de
O fabuloso destino de Amélie Poulain. As cores são semelhantes, os cenários são mais cartoonescos mas fazem lembrar os antecessores, os valores como a eterna esperança no romance e a fé no lado bom das pessoas e a própria estrutura narrativa deviam agradecer à criação do francês. O criador desta versão televisiva é Bryan Fuller, um assumido
trekkie"que também co-produziu e co-escreveu alguns episódios da igualmente inspirada
Heroes.
Seja ou não original, a verdade é que resulta e oferece a quem vê a série um novo passo na ficção televisiva, diferente da vaga de acção/suspense (excelente, diga-se) que nos tem sido dada de bandeja.
Só tenho dúvidas se o conceito não se esgotará rapidamente. Não consigo antever caminhos alternativos para manter de pé uma história que terá sempre as mesmas questões centrais: dois protagonistas que não se podem tocar e um pasteleiro com desequilíbrios éticos. Mas, e daí, eu não sou argumentista. Continuarei a ver até me chatear. Por agora, páro aos Domingos à noite.
Se ainda não o fizeram, experimentem. Garanto-vos que a seguir vai apetecer-vos ouvir a banda sonora que Yann Tiersen fez para
Amélie.
Actualização: A esta hora (21:23h) percebo que a dita série está já a sofrer a pandemia dos episódios repetidos. Enfim...
De Juby a 22 de Agosto de 2008
Oi, Inês!
Estava procurando informações sobre as similaridades entre Amelie e Pushing Daisies, quando cheguei até seu blog. Também gostei muito da série e me surpreendi na primeira vez que a vi. Acompanhava a narrativa, quando me deparei com o verde e vermelho, tão presente em Amelie, "berrando" nos cenários da série! Aí foi amor a primeira vista. Gostei da forma com que o diretor fez o visual e narrativa da série com as características da Amelie, mas sem deixar a originalidade de lado. Hoje assisti ao 2º episódio e também me preocupa como ela irá se prolongar por tanto tempo, sem que as histórias fiquem repetitivas e maçantes. Mas enquanto não canso também, vou me deliciando com as histórias e com as tortas! :)
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