Os videojogos e o cinema. A relação é complexa. Do jogo, onde tudo é geralmente mais cru e linear, para o cinema, onde tem de se limar a história e torná-la mais real. Hitman é mais uma adaptação do jogo que pôs tantos a matar e que tantos prémios ganhou. O problema é que este Agente 47 parece não transpor a barreira que nos faz distinguir uma personagem de um boneco comandado por botões.
O assassino não tem nome. Apenas um número para o diferenciar: 47. Ele foi escolhido para uma experiência onde crianças são treinadas para crescerem matadores, sem perguntas nem justificações. Apenas a perfeição na execução. Timothy Olyphant dá corpo ao agente saído de um franchise de sucesso no mundo dos videojogos.
Trabalha para A Agência, organismo secreto que cria estes ditos assassinos e lhes encomenda trabalhos.
Depois da sua mais recente tarefa, o agente vê-se envolvido numa tramóia política que o obriga a fugir da Interpol, dos militares russos e de todo o tipo de autoridades que têm alguma coisa a dizer. Pelo meio dos que o procuram, surge-nos um Robert Knepper (o T-Bag de Prison Break) com um sotaque russo americanizado. É que ele, o nosso assassino contratado, nunca falha e, desta feita, o seu alvo aparece misteriosamente vivo.

Sempre a acompanhar todos os seus movimentos está Mike Whittier (Dougray Scott), um polícia obcecado em prender aquele que chama de «o seu rapaz». Claro que, em filme de tiros e porrada que tem justamente essa designação, não poderia faltar uma dama a precisar de ajuda. Ela é Nika (Olga Kurylenko), uma prostituta usada pelos senhores da política que vai amaciar a dureza de 47.
Hitman falha no aspecto que é simultaneamente o seu único forte. Transmite um verdadeiro aspecto de videojogo, com passagens em que o espectador poderá pontualmente achar que, se sacar de um comando, poderá controlar o protagonista. Visualmente, o aspecto resulta a seu favor. No entanto, esse método em piloto automático gera, consequentemente, uma enorme desatenção e pouca profundidade do lado dos personagens.
Hitman é, assim, uma fiel colagem ao mundo virtual que não dá o salto necessário para ser mais do que isso. Como filme é uma sequência de acção ininterrupta com aspectos psicológicos abordados pela rama e que não responde à pergunta que todos queriam esclarecer: Quem é o agente com um número em vez de um nome?