
A primeira pergunta que devemos fazer é porque é que
Mysterious Skin chega às nossas salas com três anos de atraso (o filme é de 2004) mas rapidamente vamos lembrar-nos de que tal estratégia é prática comum por estas bandas.
Seguimos para a boa notícia: o que é facto é que estreou.
Mysterious Skin leva-nos até ao mundo podre da pedofilia e da prostituição numa linha
"é-assim-que-isto-se-passa-e-não-como-vemos-nos-filmes". É um filme, é certo, mas trata os personagens com a crueldade necessária que imaginamos passar-se na realidade.
Joseph Gordon-Levitt já tinha deixado de ser o miúdo do
Terceiro calhar a contar do sol há algum tempo.
Mysterious Skin confirma-o, salienta-o e coloca-o na nossa lista da próxima geração de grandes actores. Aqui surge-nos como uma ex-criança vítima de pedofilia, tornada num jovem adulto prostituto cheio de memórias recalcadas numa sociedade que começa a sentir na pele os perigos do HIV.
Brady Corbet é outro ex-miúdo que acredita ter sido raptado por seres de outro planeta porque não consegue recordar muita da sua infância.
Os dois vão cruzar-se num encontro libertador, filmado de uma forma inspirada e que, inevitavelmente, se revela um valente murro no estômago daqueles que nos deixam a pensar no filme durante o resto do dia.
Confesso que, a dada altura, a carga sexual começa a ser dispensável e chega a desviar a atenção do espectador da complexidade dos personagens. Ainda assim, acabo por não conseguir imaginar outra forma tão crua para mostrar o pretendido.
Fujam às outras estreias desta semana (
Turistas e
Licença para casar são totalmente dispensáveis) e espreitem este
Mysterious Skin.