Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Dos maus hábitos no cinema

sapos.jpg

Hoje, trago-vos um formato diferente. Esta foi uma crónica que publiquei há uns tempos num site de informação no qual colaboro. Nada que já não tenha explorado insistentemente aqui mas, sempre que posso, aproveito para dar mais uma porrada no ceguinho. É que, meus amigos, começo a achar que anda por aí uma praga...de maus hábitos no cinema.

Crónica: Dos maus hábitos no cinema

Na semana em que estreia o novo filme da Disney, Meet the Robinsons, já quase todos viram o famoso trailer dos sapos que há semanas vem antecedendo a exibição de filmes em muitos cinemas.

Os sapos que, em jeito de publicidade ao filme, advertem os presentes nas salas escuras de que ali não estão em casa e de que, como tal, o seu comportamento não deverá ser correspondente ao praticado no conforto do lar. Os mesmos sapos que foram traduzidos para incontáveis línguas, que  agora cantam em português para que todos os entendam e que o fazem de uma forma acessível até aos mais pequenos.

Numa observação mais atenta ou, até de relance, para os mais sensíveis aos ruídos de terceiros, é fácil perceber que o efeito resultante da lição dos anfíbios é quase nulo.

São os maus hábitos no cinema, uma tradição tão antiga quanto a sétima arte.

Para quem gosta de apreciar o silêncio de um cinema, apenas interrompido pelo som do filme em exibição, o tormento é grande quando na sala se encontram plateias barulhentas.

O constante e inveterado roer de pipocas e os comentários complementares e dispensáveis aos pormenores das fitas servem como desculpa para importunar os adeptos do sossego.

Mesmo nos locais em que julgamos não ter de suportar tamanha dor, há sempre uma noite em que um ou outro espectador resolve romper as barreiras da boa educação e saltar para o campo dos que pouco se importam com os demais compradores de bilhete.

Tomemos como exemplo uma destas noites de Domingo. De notar que na semana em questão, todos os filmes em estreia eram de um tipo propício a um determinado público. Uma audiência com incidência sobre os casais de namorados, os pares de amigas que procuram a comédia romântica e os casais mais velhos que, ainda assim, acabam por não fugir aos maus hábitos referidos.

O filme era Music and Lyrics, a comédia romântica com Hugh Grant e Drew Barrymore.

Listemos os comportamentos pouco simpáticos: ao meu lado, um casal conversava como se ali bebessem um bom café numa esplanada à beira-mar. Faziam comentários como “olha aquele actor do Raymond” e “que gira que é esta canção” em alto e bom som para alguém que não se tivesse apercebido do facto. A dada altura, subiram de patamar quando, o membro masculino do par começou a trautear uma das músicas recorrentes no filme.

Ainda nos arredores, não faltava a senhora que, não podendo aguardar até aos créditos finais, decidiu atender o telemóvel e dizer em bom nível de decibéis “isto está muito escuro, não te consigo ver”, enquanto procurava um conhecido no interior da sala.

Pelo meio, pipocas bem mastigadas, adolescentes descendo e subindo escadas. Enfim, momentos agradáveis e inesquecíveis que propiciavam um segundo filme dentro do recinto.

Em determinadas salas, é proibida a venda de pipocas e o ritual de uma sessão de cinema é um culto do silêncio, da observação e da memorização.
Outros há que preenchem o extremo oposto. O do barulho insuportável para quem o sente de tal forma que a atenção não consegue centrar-se no objectivo que os levou ali: o filme.

O difícil é encontrar o meio termo. Um sítio onde a qualidade das salas convença e onde, no momento do genérico inicial, nada mais se ouça para lá do que acontece na tela.

À saída comentava com quem estava comigo que o filme em questão chamava este sector de público e que nada havia a fazer. Sabiamente, a minha companhia retorquiu: “nenhum filme devia apelar a este tipo de comportamento. Não há desculpa que o justifique”.

Se ainda não receberam o aviso de Frankie e os sapos, é possível fazê-lo, na versão original, aqui.


Um tempo depois de ter escrito isto soube que, também o Pedro Mexia, tinha escrito um texto para o DN em que falava de outras situações semelhantes a esta. Numa delas, um casal assumia condutas muito pouco impróprias para o recinto em questão.

Enfim, nada a fazer...
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 08:42
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