Terça-feira, 31 de Março de 2009

Dupla Sedução: Uma dupla de estilo numa espiral sem grande pinta

 

Ele talvez seja o único tipo que poderia ter dado um melhor James Bond do que Daniel Craig (ainda vai a tempo). Ela é aquela senhora de sucesso que tanto se sai muito bem como nos deixa a perguntar porque raio é ela uma estrela de tal dimensão. E os dois estão no novo filme de Tony Gilroy, estreado nas nossas salas na semana passada, sobre uma dupla de espiões ligada a dois gigantes do mundo farmacêutico (mais especificamente na área da cosmética). Clive Owen e Julia Roberts são o casal em causa e os dois terão de trabalhar em conjunto para levar a cabo um elaborado golpe.

 

É inegável que os dois consomem o ecrã, por mais que não seja pelos seus encantos naturais. Ele com aquele ar de brutinho sacana com classe, ela pelo tipo de criatura sofisticada com neurónios que faz os homens cair a seus pés. Mas, apesar de esta dupla ter mais pinta no ecrã do que o casal Smith (Pitt/Jolie), não está tão em sintonia quanto os seus antecessores. No decorrer de Dupla Sedução, o espectador poderá sentir que cada um puxa mais para seu lado do que contribui para o bem maior.

 

Mas deixemos o casal de protagonistas e centremo-nos no filme de uma forma mais generalista. Dupla Sedução tem o claro objectivo de ser uma daquelas fitas que surpreendem a audiência a cada momento, com twists quase de cena a cena e reviravoltas em abundância. No entanto, o argumentista e realizador Tony Gilroy (responsável pelos guiões da série Jason Bourne e pela realização de Michael Clayton) parece ter ficado demasiado obcecado com essa estrutura, tão fechado nela, que nem se apercebeu que, afinal, tudo acaba por ser tão previsível quanto o resultado de um jogo da selecção nacional.

 

E se há cenas tão deliciosas como aquela em que Tom Wilkinson e Paul Giamatti brigam que nem crianças numa sequência em câmara lenta, há outras em que desejamos que despachem as conjecturas adivinháveis à distância e nos levem directamente para os créditos finais.

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Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Watchmen: Inventem-se novos heróis

 

Imaginemos que a maior parte dos espectadores que já foram ou irão ver Watchmen - Os Guardiões sabem ao que vão. Que sabem que este não é um vulgar filme de super-heróis (é a antítese disso), que é adaptado de uma B.D. muito (MUITO) celebrada assinada por Alan Moore e Dave Gibbons e realizado pelo visionário do digital, Zack Snyder. Meus caros, se fazem parte desse grupo, Watchmen é o filme que querem ver.

 

Já se, por algum acaso, andam a fazer sestinhas permanentes ou não ligam nada a estas coisas do cinema, provavelmente vale a pena perceber do que se trata este fenómeno chamado Watchmen para não levarem uma murraça no estômago durante a longa sessão de duas horas e 43 minutos.

 

Antes de tudo o resto, convém salientar que esta vossa cara amiga não leu a obra que deu origem ao filme. Sabe que se dizia ser inadaptável e um perigo com muitos riscos associados mas não a leu. É por isso que a minha humilde apreciação apenas pode falar-vos de Watchmen enquanto filme. E aí, meus caros, não há nada a temer (também não deverá haver no campo da adaptação mas aí já não me meto).

 

Watchmen - Os Guardiões é basicamente um filme sobre heróis sem super-poderes (à excepção de um) e muito moralmente duvidosos que se propõem a ajudar a salvar o mundo quando, na verdade, já não há qualquer esperança para ele. Nem para eles. O que acontece pelo caminho é um conto sobre ética, moral e a crua natureza humana. Uma história sobre o cinismo e o puro egoísmo e falso moralismo de um passado fictício, num ano de 1985 em que Nixon governava os EUA, num mundo à beira de uma III Guerra Mundial.

 

Ora pelo meio disto, uma cooperativa de heróis pouco ortodoxos tenta fazer o melhor que pode com a percepção que tem...Nada sem polémica.

 

Zack Snyder parece ter sido a escolha ideal para recriar este mundo de maravilhas digitais bem compensadas com uma história compassada, bem articulada e sem as habituais montagens frenéticas presentes no género. O elenco é meio caminho andado para o sucesso da fita com nomes como Patrick Wilson, Jackie Earle Hailey ou Billy Crudup a darem forma da maneira mais ideal aos seus personagens. E, meus amigos, a banda sonora é um mimo e faz um contraponto essencial com toda o universo fantástico que por ali paira.

 

É para ver e pedir mais...

 

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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

O vídeo que todos os noivos gostariam de ter

 

Sim, há de novo a história da abusadora de drogas que passou por milhares de atribulações. E, sim, há novamente a história da família problemática que resolve aproveitar a mais infeliz ocasião para se desmoronar: um casamento. Mas O Casamento de Rachel é uma boda diferente, íntima e pessoal, com um olhar lancinante de um cineasta sem meias-medidas. E, por isso, até nem nos importamos de passar o cheque aos noivos.

 

Jonathan Demme já não fazia uma longa-metragem desde o filme de 2004, O Candidato da Verdade. Ganhou o Óscar de Melhor Realizador por O Silêncio dos Inocentes, foi nomeado para o Urso de Ouro de Berlim por Filadélfia mas, desde aí, que a sua carreira tem sido morna, sem grandes entusiasmos. Quando, este ano, no Festival de Veneza estreou O Casamento de Rachel, as atenções estavam totalmente viradas para si e, apesar de o entusiasmo não ter sido assim tão exacerbado, ninguém se sentiu defraudado com a fita.

 

Para além do mais, a actriz Anne Hathaway começou a sua escalada de elogios que culminaria na nomeação para o Óscar de Melhor Actriz (comprovaremos no domingo se terá sorte).

 

A história é simples: Kym (Hathaway) vai comparecer no casamento da irmã (Rachel), fazendo uma pausa no seu processo de desintoxicação para a aguardada festa. Claro que Kym é uma personagem problemática e claro que, em boa verdade, Rachel também o é. Convenhamos, toda a família é complexa.

 

Apesar de alguns desequilíbrios, com cenas demasiado longas ou exploradas para a importância que têm, O Casamento de Rachel tem qualquer coisa de fascinante na forma como retrata aquelas personagens. De perto, sem véus nem barreiras, e numa celebração que, no fundo, e apesar de todos os problemas, acaba por ser o casamento ideal. Todos gostariam de ter um vídeo de casamento assim.

 

Para ficar a digerir a cena de regabofe pós-cerimónia em que até o samba é convidado.

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Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Woody Allen de volta à comédia pitoresca

 

Se Woody Allen não fosse tão cheio de maneirismos talvez não gostássemos tanto dele. E se o seu cinema não tivesse tanto dele, de tal forma que empresta a voz aos actores para que digam palavras saídas de si, talvez não o sentíssemos tão sincero. Mas é precisamente por ter tantas nuances em si que Allen é um realizador irregular. Não que possamos dizer que vá até ao mau mas, por vezes, e por temporadas, anda no morno e não consegue alcançar o bom. Depois de Match Point sentimos isso. Como se um novo filme de Woody Allen (aqui refiro-me a Scoop e O Sonho de Cassandra) fosse apenas uma estreia para cumprir calendário. Animem-se os aficionados. Ele está de volta em forma com Vicky Cristina Barcelona.

 

O cenário deste agora viajado cineasta, longe da sua adorada Nova Iorque, é a nossa cidade vizinha, Barcelona. Duas amigas americanas, cujos papéis couberam à já habitual Scarlett Johansson e a Rebecca Hall, decidem trocar o Verão dos Estados Unidos pelo sol de Barcelona. Durante um jantar de férias, é-lhes feito um convite em nada inocente que as duas acabam por aceitar. Acompanham então Juan Antonio (Javier Bardem), um pintor divorciado, ainda apegado à tresloucada ex-mulher, na ronda para ver se lhe calham novas experiências.


Vicky Cristina Barcelona é, para além de uma soma de cenas hilariantes e improváveis (Penélope Cruz nunca se viu tão do lado cómico), um ensaio sem travões sobre os defeitos nas relações. O cenário é quente, as personagens são intrigantes e os diálogos são alucinantes. E é tudo isso que faz dele um regresso de Woody Allen ao que ele sabe fazer melhor: este humor destravado e pitoresco que afinal tem um lado para se levar muito a sério.

 

Vicky Cristina Barcelona é Allen a pegar na caneta e a dar de si o que de melhor pode oferecer. Se não acharem tanto quanto eu, garanto, pelo menos, uma boa dose de gargalhadas.

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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Woody Allen em Barcelona

Esta semana o e-Cinema chega abafado pelas nomeações aos Óscares (de que trataremos já a seguir) mas continua orgulhoso defendendo o seu título de primeiro magazine de cinema online.

 

Em destaque temos Vicky Cristina Barcelona, de Woody Allen, Frost/Nixon, de Ron Howard e Resistentes, de Edward Zwick. Fora de circuito sugerimos uma passagem pelo cinema alemão e nos memoráveis recordamos a inocente Amélie Poulain. Ora espreitem na página do e-Cinema.

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Domingo, 18 de Janeiro de 2009

Veneno que afinal não cura

 

Com Rasganço (2001), a jovem cineasta Raquel Freire já tinha demonstrado o seu ponto de vista muito particular sobre o que é fazer cinema mas nada do que ali se viu preparou o espectador para o que estaria para chegar aos cinemas este ano com Veneno Cura.

 

Se é saudável que em Portugal haja cada vez mais realizadores ambiciosos, carregados de motivação e prontos a não vergar a sua visão a interesses que nada têm a ver com a qualidade artística da sua obra, também é um facto que, se esse factor não é usado com conta, peso e medida, o resultado pode ser algo como esta última fita de Raquel Freire. Veneno Cura é um filme para dentro, feito pela cineasta para ela própria, e de costas voltadas para o público. É que, por mais que as boas intenções e as ideias com potencial, possam estar na linha de partida, nada disso interessa se, à chegada, o produto não for mais do que uma afirmação de autor pretensiosa e sem a ambição de, para além disso, ser uma obra cinematográfica com pés e cabeça.

 

Veneno Cura é uma soma de fragmentos em que a autora deixa as suas reflexões sobre o amor, a morte, a perda e a sobrevivência às desgraças da vida. Diz Raquel Freire que fez este filme porque acredita no amor, mas nada em Veneno Cura nos diz que Freire tem alguma réstia de fé no que quer que seja, nem mesmo a fé em que o cinema português interesse ao público.

 

Atraiçoado pelas temáticas mais do que gastas (a prostituição, o suicídio, a tragédia da mãe solteira ou do amor não correspondido), pelos diálogos escritos com recurso aos lugares comuns em que a cineasta parecia não querer cair ou pela condução fragmentada da realizadora que faz com que o filme seja apenas uma soma de partes e não um todo coerente, Veneno Cura é mais uma prova de que o cinema português é feito de extremos. De um lado, os que tentam fazer dele apenas um negócio, do outro os que o querem tornar numa arte para nichos. O mérito reside antes nos que se chegam à frente para propor um meio-termo.

 

 

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 15:42
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

Good Old Clint

 

 

Aos 78 anos, Clint Eastwood não só continua em forma como está na melhor forma de sempre. Só este ano, assina a realização de A Troca e Gran Torino e protagoniza este último, naquele que muitos dizer ser provavelmente o seu último grande trabalho como actor. Em A Troca, Clint dirige, Clint impõe a sua visão clássica, Clint dá a Angelina Jolie o melhor papel que alguma vez a actriz fez. Seja pela inacreditável história (se não soubéssemos que era verídica não acreditaríamos), pela interpretação soberba da protagonista ou pela realização de encanto clássico que Eastwood sempre traz, A Troca é uma incontornável fita deste início de ano concorrido.

 

Numa rua da Los Angeles no final dos anos 20, invadimos a casa de Christine Collins, acompanhando por momentos a sua relação com o pequeno filho Walter. Tudo no cinzento de Clint Eastwood numa reconstituição de época impressionante. Mas estes são os escassos momentos em que Walter é uma personagem presente.

No dia seguinte, quando a mãe regressa a casa do trabalho, Walter tinha desaparecido.

A Troca é um agonizante percurso centrado na luta de uma mãe em busca do seu filho e, mais do que isso, no seu duelo com a polícia que lhe devolveu a criança errada. Ela afirma, eles desmentem, ela é a mãe frágil, eles são poderosa e corrupta autoridade.

 

Angelina Jolie faz um trabalho impressionante de mergulho no desespero que, mesmo que não lhe valha um Óscar, valerá quase decerto uma nomeação. Clint Eastwood, sempre a surpreender, dirige o filme com mão precisa, tal como habitualmente, fazendo uso do seu talento clássico sem precisar de recorrer a grandes artifícios para compor imagens inesquecíveis.

 

A Troca não é o melhor que Eastwood já dirigiu mas é uma das obras mais bem conseguidas deste actor/realizador que, cada vez mais, se revela um sábio na segunda função.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 16:16
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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Valsa com Bashir: Trauma documentado e animado

 

 

O realizador Ari Folman não parece ser a mais afável criatura e não aprecia as luzes da ribalta mas nada disso importa porque, da sua experiência traumatizante, decidiu fazer uma obra para recordar. Folman é um antigo soldado israelita, recrutado para combater na primeira Guerra do Líbano, cujas memórias desses tempos permaneciam difusas. Isto até ele procurar companheiros de combate, recordar as suas experiências e, pelo caminho, perceber que a sua espécie de amnésia em relação àquela altura se devia ao facto de sofrer de stress pós-traumático.

 

O soldado/realizador decide então dar um pontapé no estado psicológico e fazer uma terapia com forma cinematográfica que acabou por resultar numa fita extraordinária.

Valsa com Bashir é então o relato desses episódios no seio do conflito que, tal como faz um bom documentário, coloca o cineasta a procurar os intervenientes no seu ambiente mais familiar e a fazer com eles uma regressão até àqueles dias de terror. Para além disso, tem a particularidade única de ser um filme de animação criada de raiz.

 

Esta é um dos motivos que torna Valsa com Bashir uma obra tão especial. Foi nomeada à Palma de Ouro em Cannes e recebeu uma ovação de 45 minutos no mesmo festival. Desde aí, tem corrido o mundo e arrebatado tanto prémios como elogios. Tudo isso é justo.

 

Assistir a Valsa com Bashir é mais do que comprar bilhete para uma simples sessão de cinema. É ir até ao conflito e sentir na pele o que os soldados sentiram com a companhia de imagens tão fascinantes quanto perturbadoras e algumas cenas de “pesadelo” que só a animação permitiria. É por isso que a animação não é aqui apenas um capricho. É um recurso que torna Valsa com Bashir, um filme perturbador, marcante, e que ataca o espectador com aquela sensação quase extinta de que está verdadeiramente a ver algo de novo.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 14:40
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Domingo, 28 de Dezembro de 2008

Austrália: Os clássicos voltaram nas antípodas

Sim, Baz Luhrmann é um romântico incurável. E, sim, as suas incursões ultra-fantasiosas são um risco desmesurado perigosamente à beira de passar a barreira do credível. Mas, se o cinema já perdeu a vontade de ser um escape, uma passagem para o lado de lá, onde tudo é larger than life, então pode ter perdido parte da sua essência. Lurhmann volta à carga com Austrália e consegue a proeza de levar ao grande ecrã, nestes tempos de algum desencanto, imagens com o deslumbramento que só um grande clássico pode afirmar ter. É um risco, sim, mas se alguém o pode correr é Baz Luhrmann.

 

Depois de Romeu e Julieta, em que trouxe Shakespeare para os dias de hoje sem lhe matar a orige,  e de Moulin Rouge, um musical de cores e festim de excentricidades construído com pinças, Baz Luhrmann quis aumentar o turismo na sua terra natal e fazer um épico avassalador down under, extraordinariamente romântico e com imagens dignas de um cinema clássico que quase parece já ter desaparecido.

 

O elenco é maioritariamente constituído por australianos, a rodagem foi totalmente feita por aquelas bandas, e a acção desenrola-se com o contexto australiano como pano de fundo. Mas Austrália podia ter-se passado noutro local porque o espírito de épico estaria lá a sair por todos os poros. É uma espécie de salada feita a meias entre África Minha e E Tudo o Vento Levou com O Feiticeiro de Oz a servir de tempero que está destinada a destinar-se intemporal.

 

Lady Sarah Ashley (Nicole Kidman) é uma aristocrata inglesa que parte rumo à Austrália e se vê obrigada a tomar conta do negócio de gado estabelecido pelo marido. Como missão tem a tarefa de fazer uma manada de gado atravessar as mais diversas intempéries e para isso terá de contar com uma mãozinha (e com o suor do corpo) de um condutor de gado, The Drover (Hugh Jackman).

Podia dizer-se que, à partida, esta seria a sinopse de Austrália mas, na verdade, as histórias dentro da história seriam suficientes para desdobrar o filme em mais fitas. Há a viagem que desemboca na aventura amorosa entre os dois protagonistas, aflora-se a questão das crianças aborígenes retiradas do seu meio, com o filho adoptivo de Sarah Ashley, Nullah (Brandon Walters) a dar-lhe forma, e ainda está presente o contexto histórico de uma II Guerra Mundial a intrometer-se onde não deve.

 

Tudo isto acompanhado de uma série de referências às imagens de filmes que ficaram na memória de todos e da estética tão própria de Luhrmann, que só ele poderia assinar, com panos de fundo grandiosos, enquadramentos de GRANDE  cinema e imagens tão extravagantes quanto apetecíveis.

 

Austrália nunca poderia ser tão excêntrico ou desmesurado quanto Romeu e Julieta ou Moulin Rouge porque a própria narrativa não é tão dada a isso. Mas ainda que este seja um Baz Luhrmann um pouco mais refreado, o realizador transforma a fita num daqueles exemplos que, na sala de cinema, têm o condão de fazer o espectador sentir-se arrebatado, de volta ao esplendor que julgava já ter perdido há muito. Isto, é claro, se se for assistir a Austrália de coração aberto e sem preconceitos contra hipérboles visuais.

 

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 20:09
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Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Dramas, futilidades e manicures competentes

 

Homem não entra aqui. Esta podia bem ser a tagline de Mulheres!, o filme de Diane English que recupera a fita realizada por George Cukor em 1939. Típicas mulheres de Manhattan, ricas, independentes e muito fashion que não dispensam uma cuidada sessão de manicure nem um competente corte de cabelo são as protagonistas de um filme onde o universo feminino é retratado ao pormeno. Pena que fique reduzido a uma mão cheia de dramas e futilidades.

 

Na fita de 1939 com o mesmo título eram Norma Shearer e Joan Crawford quem interpretava os papéis de uma abastada esposa e mãe e de uma manipuladora empregada de perfumaria. O cenário mudou, a perfumaria surgiu agora modernizada, a história foi trazida para os tempos modernos e as protagonistas passaram a ser Meg Ryan e Eva Mendes. A primeira veste a pele de Mary Haines, uma esposa consumida pelo casamento em detrimento das suas apostas pessoais que descobre, durante uma visita ao salão de beleza, a traição do marido. O alvo de desejo de Stephen Haines é Crystall Allen, uma lojista de balcão que aconselha perfumes e manipula homens casados.

 

Mas o elenco central não se fica por aqui e vai buscar mais algumas pérolas do universo feminino. Annette Bening, – o melhor do filme, diga-se em boa verdade – Debra Messing e a senhora Will Smith, Jada Pinket, são as peças que compõem o círculo de amigas pronto para amparar Mary no momento em que a bigorna lhe cai em cima. E a fazer uma perninha ainda se juntam Bette Midler e Candice Bergen.

 

Mulheres! Pretende ser um ensaio sobre as particularidades do cosmos feminino e ir buscar força às interpretações do dispendioso elenco que a realizadora Diane English (que realizou 37 episódios da série Murphy Brown, também uma afirmação sobre o poder das mulheres) conseguiu reunir. O problema é que acaba por cair numa imagem quadrada e estereotipada que nem chega aos calcanhares do atrevimento de O Sexo e a Cidade nem tem o encanto de 8 Mulheres.

 

Apesar de uma ou outra cena com um realismo sincero e de uma ou outra passagem com humor inspirado, geralmente com Annette Bening pelo meio, Mulheres! é apenas um espectáculo de glamour comercial que atravessa os corredores de um centro comercial e que faz daquelas mulheres em questão personagens quadradas, planas e sem muito mais para mostrar do que unhas bonitas e cabelo arranjado.

 

Ficha Técnica

 

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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Bolt: Para ver em 3D, depois de ver a versão original

Começo com o alerta de que é pecaminosa a tradução de Bolt mas, como não há outra hipótese de o ver em 3D, lá teremos de nos contentar. Aqui ficam algumas notas sobre o filme saídas agora do sítio do costume.

 

E se um actor acreditasse ser realmente uma das personagens que interpreta? Se vivesse toda a sua vida numa farsa em que acredita piamente? Em Bolt, o novo filme da Disney, depois de John Lasseter ter assumido a direcção criativa da Disney/Pixar, o actor é um cão, herói numa série televisiva de sucesso, que julga que, fora do ecrã, pode continuar a ser um super canídeo.

Ainda que não tenha a raça nem a coleira de campeão de um filme da Pixar, a nova aventura vinda dos estúdios de animação Disney – a primeira com John Lasseter como director criativo para além do estúdio que ajudou a fundar – não deixa de ser uma aventura refrescante, com personagens fortes e, mais importante que isso, a primeira a ser construída de raiz a pensar na exibição em 3D Digital. A história, como em quase todas as que saem das mentes destes criativos, é simples mas tem um encanto considerável, oferecendo, graças à tecnologia 3D, cenas de acção servidas ao colo do espectador, com esferovite a saltar-lhe para a cara e um focinho muito grande a surgir do lado de fora do ecrã.

Bolt foi adoptado pela jovem Penny em pequeno e desde então que a sua função, para além da de fiel companheiro, tem sido representar o papel de um cão-herói numa série muito bem sucedida. Mas o que Bolt desconhece é que aquele papel não dura para lá das paredes dos estúdios. Lá fora, os seus super-poderes deixam de existir e a eficácia a salvar a sua dona torna-se ineficaz. É por isso que, quando num episódio, Penny é raptada pelo mau da fita, Bolt julga que tudo é verdade e parte para o mundo real na tentativa de a salvar. Pelo meio encontra uma gata com azedume a jorrar pelos poros e um delicioso porquinho-da-índia, o maior fã da celebridade canina.

Mesmo que, olhando para o resultado final não se adivinhe, a produção de Bolt foi acidentada. A película começou por chamar-se American Dog e tinha no lugar de realizador Chris Sanders (Lilo & Stitch) mas, devido a visões distintas entre o que o realizador queria que tomasse forma e aquilo que John Lasseter queria ver no ecrã, foi a dupla Chris Williams e Byron Howard que acabou por tomar conta do projecto. E o produto que agora chega aos cinemas não deixa o espectador a pensar que algum dia possa ter havido obstáculos ou indecisões.

O conto não tem o poder que todas as longas-metragens da Pixar conseguem alcançar (tendemos a apostar que serão clássicos daqui a 30 ou quarenta anos) mas, sendo uma fita para digestão mais rápida, é convincente. Talvez a principal diferença seja a de que Bolt tenta chegar primeiro a um público mais jovem e, só como consequência, à faixa etária adulta. E isso nem os clássicos da Disney nem os (quase) clássicos da Pixar fazem. Não têm qualquer idade a rotulá-los.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 12:41
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Não há como não falar de Amália

Por esta hora já todos ouviram falar de Amália, o Filme, o novo filme de Carlos Coelho da Silva (autor dessa grande obra...cough...desgraça...cough...cinematográfica que é O Crime do Padre Amaro) sobre a diva do fado, agora que passam nove anos sobre a sua morte.

 

A ideia era boa, o potencial imenso e, se reunidas todas as condições, poderia ser um dos grandes novos filmes para o grande público que o cinema português teria parido. Mas não. Apesar do mérito de ter uma ar de grande produção e de fazer uma boa reconstituição de época, pouco mais se pode dizer que Amália, o Filme tenha de positivo.

 

Sandra Barata Belo não tem o ar de mulher que seria necessário para o papel e, apesar de fazer um esforço digno, não chega para encher o lugar, o argumento tenta não seguir a cronologia da carreira da actriz mas acaba por estereotipar uma vida que tinha muito mais de complexo e, meus amigos, Ricardo Carriço a falar com sotaque brasileiro é uma delícia memorável. Eu não sou rapariga para sovas mas lá que este está bem colocado na linha de partida para a levar, está.

 

De qualquer forma deixo-vos duas entrevistas com a protagonista e o realizador que provam que as ideias boas estavam lá mas, por alguma razão, não tomaram a melhor forma.

 

 

 

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 18:28
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