Quinta-feira, 12 de Julho de 2007

Bordertown…É que está mesmo na fronteira (entre o mau e o muito fraquinho)

 Esta semana estreia Harry Potter. Não sou grande fã, já aqui o disse. No entanto, entendo e não critico o fenómeno à volta do aprendiz de feiticeiro. Os pareceres sobre Potter vêm já a seguir mas, por agora, deixo-vos com outra das estreias ( se a puderem evitar, façam-no).

"Mulheres violadas e assassinatos encobertos. Exploração de trabalhadores e imigrantes ilegais. Perdida na confusão está uma repórter. Esta é a afirmação político-ideológica do realizador Gregory Nava sobre interesses económicos entre mexicanos e americanos. Mais, este é mais um statement do homem a quem as mulheres dizem muito, porque as gosta de defender. Pena é que pouco mais seja do que isso: um protesto com alma mas sem grande talento.

 

A fronteira é palco para muitos filmes. Entre México e Estados Unidos uma barreira separa a ordem possível do caos inconcebível. Do lado de lá há mais do que imigrantes ilegais a tentarem passar sem que os helicópteros da patrulha fronteiriça os detenha. Há um mundo de exploração nas fábricas conhecidas como as «maquilladoras», indústrias que empregam trabalhadores temporários saltitantes. Sempre entre um lado e outro. As mulheres são as mais contratadas porque, dizem, sujeitam-se a piores condições de trabalho e a mais horas nas linhas de montagem. É uma história a ser aprofundada e que, com os devidos talentos a tomar conta dela, seria uma séria candidata aos óscares. Antes dos pareceres, a sinopse.

 

Em Bordertown, uma repórter de Chicago que ambiciona um cargo mais alto (Jennifer Lopez) é enviada para Juarez, cidade sob fogo e dominada pela desordem, para investigar uma série de assassinatos. As vítimas são todas mulheres, trabalham nas ditas fábricas e aparecem misteriosamente mortas quase sempre no mesmo descampado. Na viagem até ao lado de lá da barreira encontra o ex-par romântico (Antonio Banderas), também ele jornalista e deixa-se envolver no caso de uma menina que, de forma inédita, sobreviveu a um ataque do «Diabo».

 

Este Cidade sob ameaça causa, logo à partida, uma série de desconfianças. O nome Gregory Nava chegou ao sucesso com o filme Selena (a mesma protagonista retratou a cantora texana de origem latina). Aqui, quer gerar um ambiente de documentário com laivos de thriller incessante mas acaba por se perder na rapidez excessiva que chega a causar incoerência nas imagens. Jennifer Lopez, convenhamos, não se tem metido nos projectos mais aliciantes. O argumento também não desperta a máxima curiosidade. Em suma, poucos atractivos. Mas damos o benefício da dúvida.

 

 Apesar de a narrativa (que logo no início é rotulada com um «baseado em factos verídicos») ter algum interesse, o caminho tomado acaba por fazer com que Bordertown não seja do que uma manifestação dos ideais do realizador com uns quantos nomes sonantes e algumas cenas necessárias (o que não é igual a interessantes) para prender o público. Jennifer Lopez encaixa no papel (talvez um dos seus melhores) mas continua a não sair da imagem feita de latina revoltada/mulher de armas em luta por um lugar cativo. Também a história, embora capte alguns pontos que merecem atenção, acaba por cair nos recorrentes diálogos sentimentais e tenta aliviar o peso dos acontecimentos com alguns momentos pop totalmente desprendidos do restante argumento (como a actuação do cantor Juanes numa festa teen e a cena de sexo «só porque sim»).

 

Sónia Braga,  Antonio Banderas e a menina (que sem dúvida é quem tem a melhor interpretação) ainda conseguem imprimir alguma consistência mas o todo não consegue deixar de ser inconsistente. Se dos dois lados da fronteira houver outras alternativas cinematográficas (o preferível Harry Potter), sugiro que fiquem do lado de cá."

Publicada no sítio do costume.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 17:15
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