Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

O público gosta das novas guerras?

Body of Lies é uma oportunidade para recuperar a fé em Ridley Scott. Estreia hoje e não pode passar despercebido por aqui. Deixo-vos um artigo sobre a tendência que se tem sentido no cinema desde há alguns anos, para usar como temáticas centrais a guerra do Iraque ou o terrorismo.

 

O 11 de Setembro mudou visões um pouco por todo o mundo e o cinema não podia escapar impune. Sete anos depois, os filmes centrados em temáticas relacionadas com a política externa dos Estados Unidos já começam a formar uma lista suficientemente extensa para poderem ser chamados de «quase-género». O novo filme de Ridley Scott, O Corpo da Mentira, chega hoje às salas de cinema e volta a sublinhar a atenção que a Sétima Arte está a dar ao Médio Oriente. Mas, e os espectadores querem mesmo ver filmes sobre as guerras do agora?

 

O Corpo da Mentira, o mais recente filme de Ridley Scott, vai ao encontro de um estratega da CIA (Russell Crowe), que opera a partir dos Estados Unidos, e de um outro agente (Leonardo DiCaprio), que dá o corpo no terreno do Médio Oriente e arredores. Embora, ao longo do filme, o discurso anti-Iraque ou anti-Al Qaeda tente não ser demasiado saturante, é latente a necessidade de marcar uma posição crítica sobre a forma como os Estados Unidos lidam com as questões do terrorismo. E esta tem sido a linha de muitos outros filmes desde que as Torres Gémeas caíram, desde que começou a segunda guerra do Iraque, desde que os escândalos de Abu Grhaib ou Guantanamo inundaram os meios de comunicação.

 

Os filmes sobre a tragédia propriamente dita, como Voo 93 (Paul Greengrass) ou World Trade Center (Oliver Stone), nem se saíram mal no que diz respeito ao interesse dos espectadores mas, do lado dos que se centram maioritariamente na crítica à presença militar americana em terras iraquianas, o cenário não foi animador. Censurado, de Brian De Palma, Peões em Jogo, de Robert Redford ou No Vale de Elah, de Paul Haggis, são apenas alguns dos que não foram bem sucedidos nas bilheteiras.

 

No entanto, a verdade é que a história do cinema está recheada de exemplos de filmes de guerra que, não só foram êxitos junto do público, como colocaram de joelhos a crítica e os senhores responsáveis pela temporada de prémios. Até mesmo guerras pouco populares, como a do Vietname deram ao grande ecrã fitas de grande sucesso. Recordem-se os exemplos de O Caçador (Michael Cimino), Apocalipse Now (Francis Ford Coppola) ou Platoon – Os Bravos do Pelotão (Oliver Stone).

 

A pergunta impõe-se e não tem resposta fácil: Qual será então a razão que afugenta os espectadores desta nova moda de filmes sobre Iraque/terrorismo/Médio Oriente?

Estará o público cansado de um assunto de que já não quer ouvir falar? Haverá uma saturação de imagens no pequeno ecrã que não deixa espaço para que as mesmas surjam na tela? A tarefa é indiscutivelmente árdua quando é preciso convencer um espectador a comprar bilhete para ver um espectáculo que tantas vezes lhe irrompe casa adentro sem que seja preciso despender um tostão. Para além disso, se os filmes da tendência apenas se agarrarem ao tema que abordam para sobressaírem no meio de uma lista de estreias tão extensa e, ao mesmo tempo, descurarem na qualidade enquanto obra cinematográfica, não há assunto premente que resulte na sua salvação.

 

O Corpo da Mentira foi muito maltratado nos Estados Unidos, tanto pela crítica, que não foi meiga com Ridley Scott, como pelo público, que preferiu assistir a Beverly Hills Chihuahua ou a Max Payne. É mais uma película a entrar para uma lista que parece não conseguir ter sorte nem encontrar o seu lugar.

 

Chegará então o dia em que o público ganhará afeição por estas novas guerras como fonte de entretenimento? Talvez seja o tempo o culpado e talvez esta curta (ou inexistente) distância ainda não permita que estes filmes sejam apenas isso: duas horas de distracção sem referente real.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 12:41
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