Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Chamem-nos de idiotas. Eles não se importam.

 

Porque as férias se intrometeram, porque o regresso ao trabalho é sempre uma correria e porque, por arrasto, as idas a visionamentos passaram quase a não se verificar, o Elite não tem andado com o habitual ritmo de textos opinativos sobre estreias. Pois hoje recomeça a enchente com um dos filmes que vos estou a dever, Destruir Depois de Ler, a mais recente comédia idiótica (no bom sentido) dos manos Coen que, naturalmente, não passa despercebida pelos olhos desta vossa amiga.

 

Roubando o estilo à Empire, atrevo-me a começar por deixar o veredicto: ainda que não atinja o divino nem ande muito perto das nuvens, é a melhor comédia dos Coen desde Irmão, Onde Estás? e prova que a dupla não esqueceu que sabe do género onde tem mais incursões depois do sucesso do reluzente Este País Não é Para Velhos. Os responsáveis? Todos os idiotas que os Coen fizeram nascer para cada um dos protagonistas do filme.


Este País Não é Para Velhos deixou até os mais cépticos convencidos com o cinema de Joel e Ethan Coen mas, no que a comédias diz respeito, já desde Irmão, Onde Estás? que os realizadores não acertavam o tom. Vejam-se os exemplos de The Ladykillers ou Crueldade Intolerável.

Com Destruir Depois de Ler os Coen  voltaram a desenhar retratos de idiotas azarados e fizeram-no com os actores certos em mente (apenas o papel de Tilda Swinton não foi feito à medida para ela). O resultado da confecção personalizada está à vista e é, em última instância, o que confere à fita a sua característica mais preciosa.

 

A história é, como manda a lei, estapafúrdia e, consequentemente, muito divertida. Dois empregados de ginásio, interpretados por um irreconhecível e cada vez mais jovem Brad Pitt e por uma sempre irrepreensível Frances McDormand, encontram um CD com as memórias de um agente da CIA e, na sua santa malandrice ingénua, acham que podem fazer dinheiro com ele.

 

O novelo de lã aumenta a tal ponto que leva a jogo a preguiçosa direcção da agência (um sempre cáustico J.K. Simmons com David Rasche ao seu lado), um mulherengo de bairro que tem uma arma mas nunca a usou na vida (George Clooney) e, claro, o autor das memórias, o analista Osbourne Cox (John Malkovich).

 

Apesar de o ritmo criativo nos cérebros de Joel e Ethan Coen parecer ser quase sempre mais acelerado do que o do comum dos mortais, fazendo com que se notem alguns buracos a nível de argumento em certos momentos do filme, Destruir Depois de Ler é um somatório tão delicioso de bons e alucinados trabalhos de representação acompanhados por uma lista imensa de críticas sem papas na língua que faz dele um filme imperdível. Cheio de idiotas, repleto de idiotices mas aconselhável aos que não se enquadram nessa categoria.

 

Nota: Vale a pena ler na Empire um artigo sobre a conferência de imprensa que realizadores e elenco deram no Festival de Veneza sobre o filme, com verdadeiros idiotas presentes. Desde a moça que convidou Brad Pitt para fazer ginástica com ela à criatura que não parava de fazer perguntas sobre os gémeos do casal Pitt/Jolie, o circo teve de tudo.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 10:12
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