Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

A cantarolar ABBA

É que não há hipótese. Uma semana de ABBA na cabeça, no mínimo. Aqui fica o artigo publicado hoje no SAPO sobre Mamma Mia!.

 

Sim, é kitsch (eufemismo vulgarmente usado quando o adjectivo foleiro parece assentar mal). Sim, é meloso, lamechas, docinho e mais todas as qualificações que envolvam doses massivas de açúcar. Sim, é estranho ver um elenco de dezenas invadir uma ilha grega a cantar como se estivesse num palco de madeira. Mas sim, é divertidíssimo, ritmado, nostálgico e deixa até o mais cinzentão com o pé a bater no chão e uma incontrolável de começar a cantarolar «Mamma Mia, here I go again». Vamos a isso outra vez. Aos ABBA.

Já foi uma das bandas mais populares e desavergonhadas do planeta. Depois foi promovida a grupo mais piroso com legado na história da música. Agora, parece progressivamente voltar a ser aceite, a estar em voga, ainda que a moda traga quase sempre atrelado o termo kitsch, para não parecer mal. Depois do bem sucedido musical de palco, que não pára de esgotar salas por todo o mundo desde 1999, os ABBA chegam ao cinema em Mamma Mia!,  com Phyllida Lloyd a assinar a realização.

Logo à partida, ter Meryl Streep a encabeçar um elenco confere a qualquer filme um selo cego de qualidade inquestionável e, de facto, a veterana é quase sempre irrepreensível. Depois, juntar Colin Firth, Pierce Brosnan e Stellan Skarsgard como pares masculinos da estrela também é obra e, pelo menos, aguça a curiosidade. E, claro, as músicas dos ABBA, quer funcionem como atracção ou motivo de repulsa, garantem, por uma ou outra razão, muitas pessoas no cinema.

Aqui, o musical é criado a partir de canções e não ao contrário, como na maioria das vezes acontece, e, por isso, foi preciso criar uma narrativa que encaixasse nas letras de Benny Andersson e Björn Ulvaeus. A história reza assim: Sophie (Amanda Seyfried) está prestes a fazer a longa caminhada até ao altar e, como qualquer noiva de preceito, quer que o pai a guie. O problema é que a jovem não sabe quem é o seu pai, apenas sabe que não tem mãos que cheguem para contar os homens com quem a mãe dormiu e que tem três progenitores possíveis. O drama: convida-os a todos para a boda na esperança de, por algum milagre, descobrir quem partilha o seu ADN.

O perigo de qualquer peça de teatro ou musical adaptados ao cinema é não serem pensados para o grande ecrã e manterem a mesma estrutura que usavam no palco, como se se tratassem apenas de uma filmagem de um espectáculo. A verdade é que, por vezes, em Mamma Mia! sentimos que é bizarro ver aqueles números coreografados numa ilha grega e que é estranho ver Meryl Streep a abrir uma janela para começar a cantar, mas toda a película parece estar tão dedicada àquela envolvência que tais cenários acabam por fazer sentido.

Meryl Streep é o motor atrás do qual a restante caravana se vai movendo, com a novidade Amanda Seyfried a mostrar que tem fôlego para um papel principal, Colin Firth a provar que também sabe fugir ao seu registo habitual de «sou-tão-bem-comportado» e entrar na paródia e Stellan Skarsgard a sair do seu normal circuito independente para fazer um musical. Quanto a Pierce Brosnan, bom…digamos com a voz que tem nunca conseguiria editora para assinar contrato.

Estão lá todos os números desde o que dá o nome ao filme, passando pelo persistente Dancing Queen ou um muito divertido Take a Chance on Me e até um trautear disfarçado de Fernando. Quem não ficar a cantarolar as canções dos ABBA nos dias seguintes que atire a primeira pedra. Confessemo-nos e deixemo-nos de «kitschices»: sim, é assumidamente foleiro mas nós assumimos que gostamos.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 18:07
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