Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

ABBA na aldeia

 

O Público traz hoje uma reportagem muito bem sacada sobre as sessões especiais do musical Mamma Mia que a Lusomundo está a levar a locais do país que não têm salas de cinema. É incrível mas há, de facto, quem nunca tenha visto um filme no grande ecrã e é reconfortante saber que, de vez em quando, há quem se lembre dos cine-excluídos.

 

Para além disso, é formidável a imagem que nos vem à cabeça quando imaginamos Manuel João Vieira ou Nucha a cantar karaoke com músicas dos ABBA.

 

Deliciem-se com a descrição da jornalista Maria João Lopes.


Mamma Mia, filme com música dos ABBA, chegou anteontem em antestreia a Benfeita. Na aldeia há quem nunca tenha entrado numa sala de cinema. A digressão ao ar livre continua

Na plateia ouve-se: "Isto é um acontecimento, somos os primeiros a nível nacional a ver o filme, é um privilégio." Não é o Cinema Paraíso, o filme de Giuseppe Tornatore, mas nem por isso uma projecção de cinema ao ar livre em pleno Verão deixa de ser um momento mágico. E trazer cinema a esta aldeia, como aconteceu na noite de sábado, continua a ser um acontecimento. Algumas pessoas viram pela primeira vez uma tela em formato grande.


Em Benfeita, um lugar perdido no meio do nada, não há sala de cinema. Não há aliás nenhuma em todo o concelho de Arganil, pelo menos a funcionar regularmente. Foi este o sítio escolhido para uma antestreia de Mamma Mia!, musical adaptado agora ao cinema por Phyllida Lloyd. A sessão foi seguida de karaoke com música dos ABBA, interpretada por artistas conhecidos que trouxeram ainda mais animação à fresca noite de sábado. É preciso mais para tornar a noite especial (para além de ouvir Manuel João Vieira cantar Chiquitita, numa versão portuguesa completamente adulterada)?


Para Ana Ramos, empregada fabril, de 35 anos, não. A noite foi certamente diferente. Até porque Ana, habitante de Benfeita, nunca entrou numa sala de cinema. Até à noite de anteontem isso não a incomodava muito. Achava que não gostava. Mas como não parou de se rir durante todo o filme com Meryl Streep e Pierce Brosnan mudou de ideias.


"Vi o filme e gostei muito. Nunca fui ao cinema, mas deste filme até gostei. Se calhar, agora, se tiver uma oportunidade de ir, não vou deixar passar. Ri-me tanto... foi uma comédia muito bonita", diz no fim, já no recinto onde se seguiu a festa.


A iniciativa de trazer este filme a Benfeita é da Lusomundo. A ideia da digressão de cinema ao ar livre é divulgar o Mamma Mia! em localidades sem sala de cinema: hoje na Cortegaça, Ovar; em São Martinho do Porto na quarta-feira; em Óbidos na sexta; em São Teotónio, Odemira, no último dia do mês. A festa de encerramento será em Lisboa a 2 de Setembro.


Para animar a aldeia de Cortegaça, está já confirmado o nome de Mónica Sintra. Os Linda Martini vão estar em São Martinho do Porto, Gomo e Nucha em Óbidos, Fernando Cunha (dos Delfins) e Flak (dos Radio Macau) em São Teotónio. Em Lisboa é esperado José Cid, entre muitos outros.


O filme chega às salas de cinema a 4 de Setembro. Conta a história de Donna e da filha Sophie, que se vai casar mas antes quer descobrir quem é o pai. O problema é que andou a espreitar o diário da mãe e descobriu três possíveis candidatos. Na dúvida, convida os três para a boda. Fez a plateia de Benfeita rir, assobiar e bater palmas. Depois da projecção, Manuel João Vieira, Pedro Miguéis, Yami, Sónia Costa abriram o karaoke com música dos ABBA.


Nuno Gonçalves, director-geral da Lusomundo, diz que a ideia da digressão surgiu com a estreia do filme na Grécia, onde foi rodado: "As exibições foram feitas ao ar livre e foi um sucesso, o que nos levou a pensar fazer as antestreias do filme em localidades pequenas para perceber se as pessoas, mesmo não tendo cinema, gostavam do filme", explica.


No fim da apresentação em Benfeita, o director-geral da Lusomundo não escondia a satisfação pela "casa cheia" (os 400 lugares sentados foram praticamente preenchidos por gente de todas as idades), o que permite ter boas expectativas em relação às restantes localidades por onde o musical vai passar. "O filme é muito positivo, é um filme de Verão, para passar um bom bocado", diz ainda.


Também Isabel Lima, da Lusomundo, acredita que o filme tem as "características ideais" para ser exibido ao ar livre em pequenas aldeias: "É um musical divertidíssimo com grandes estrelas", nota. O facto de, em Janeiro, terem apresentado em antestreia o filme Cloverfield, na estação de metro do Terreiro do Paço, em Lisboa, deu "alguma segurança" à organização, que monta, em cada local, uma ecrã gigante e bancadas para que as pessoas possam assistir ao filme de forma confortável. Os bilhetes são distribuídos pelas câmaras e juntas locais e ainda em passatempos de órgãos de informação regionais.


Alfredo Martins, presidente da Junta de Freguesia de Benfeita, aldeia onde vivem em permanência 170 pessoas, reconhece que criar um "cinema" no campo de futebol local é um "acontecimento": "A interioridade das aldeias leva a que sofram esta situação. Só têm algum movimento na altura do Verão, quando chegam as pessoas que são de cá e estão a viver em Coimbra, Porto ou Lisboa... Mas as pessoas que aqui vivem todo o ano raramente vão ao cinema. Em Arganil, a sala não funciona regularmente", explica.


Neste Verão também o realizador Miguel Gomes, que rodou nesta região Aquele Querido Mês de Agosto, mostrou depois o filme à população de Benfeita.


Chiquitita à portuguesa


O tesoureiro da junta, Carlos Marques, de 51 anos, admite que a última vez que foi ao cinema foi em Lisboa, tinha então 17 anos. Por que é que não vai mais vezes? "Oh, é muito longe e não aprecio muito cinema. Mas aqui na terra gosto de ver", diz, já a festa está animada.


Algumas pessoas dançam, de caipirinha ou cerveja na mão. A cantora Sónia Costa, que adora ABBA, é a primeira a cantar no karaoke. Segue-se Manuel João Vieira que aldraba a letra toda e improvisa uma nova versão: "Chiquitita, tu és uma mulher bonita, acredita. A mulher só é mulher se deus quiser (...) Eu não sei ler estrangeiro, Chiquitita."


Depois das palmas, Manuel João Vieira diz, muito sério, que já há dois anos andava a preparar a participação no karaoke de Benfeita, em conjunto com o realizador do filme: "Sempre gostei muito dos ABBA, mas agora ainda gosto mais. Eles chamam-se ABBA porque usavam as calças com as abas muito largas. Até já tentei obter nacionalidade sueca."

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 11:48
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