Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

O telefone/sapato (ou o sapato/telefone)

Não apetece começar a cantarolar a música do genérico de Get Smart outra vez? Pois apetece.

Estreia hoje a recriação cinematográfica da magnífica série dos anos 60 e, embora seja quase impossível estar à altura de Don Adams, Steve Carell é um tipo competente e, para variar (esqueçamos o desastre que é Evan Almighty), não desilude. Para ver sem demasiadas expectativas e com boa disposição para aproveitar as gargalhadas.

 

Deixo-vos um artigo acabadinho de sair do sítio do costume.


O velho truque do telefone no sapato já não chega ao século XXI com aparência de maravilha tecnológica da mesma forma que este Maxwell Smart nunca poderia bater a aura que Don Adams deixou na série dos anos 60. O agente desajeitado, de métodos ao desbarato, não é o mesmo nem pode bater muitos anos de memórias mas não se deixou ficar para trás num filme de entretenimento competente ajudado por um elenco consistente. Maxwell Smart está vivo e tem olho para a profissão. Mesmo que tenha falhado por um bocadinho, vale a pena ver a parte que não falhou.

Estávamos em Setembro de 1965 quando Mel Brooks e Buck Henry levaram Get Smart até à caixa mágica, uma série sobre o agente número 86 de uma organização de combate ao crime. Maxwell Smart era uma espécie de James Bond desastrado com uma ligação sanguínea com o Inspector Gadget que surpreendia pelos métodos pouco ortodoxos, surpreendentemente bem sucedidos (com uma grande ajuda da Dona Sorte).

A série televisiva foi um sucesso por todo o mundo, durou até 1970, e petrificou o nome de Don Adams junto ao do agente secreto, como o actor que lhe vendeu corpo e usou o mítico telefone/sapato. Maxwell Smart era geralmente ajudado pela competente agente 99, por quem acabaria por se apaixonar. Já nos anos 90, a série é retomada com Smart e 99 em outras funções e colocando no centro da acção o filho de ambos, Zach (interpretado por Andy Dick).

No filme que agora chega às nossas salas de cinema, os espiões voltam ao início. Este Olho Vivo do realizador Peter Segal (A minha namorada tem amnésia; Anger Management) é uma história sobre a origem, sobre como Smart passou de analista da CONTROL, a empresa do bem, a agente pronto a combater todos os maléficos planos da KAOS, a organização dos maus da fita.

Conhecemos Maxwell Smart (Steve Carell) quando a CONTROL acaba de ser atacada fazendo com que grande parte das identidades dos agentes tenha sido comprometida. No limiar da urgência, «O Chefe» do sítio (o grande veterano Alan Arkin) recorre ao funcionário mais improvável para tomar conta das operações. Assim, Smart tem de salvar o couro dos colegas com uma mãozinha da agente 99 (Anne Hathaway), a única cuja identidade não foi violada.

Embora o filme decorra de forma mais ou menos previsível (adivinhamos onde está o vilão bem antes de nos contarem), e não tenha o carisma nem a reputação que os anos deram à série, tem o bom senso de não pretender agradar apenas aos que conhecem a versão televisiva da história. Aí está o seu trunfo.

Um fã pode ver este Get Smart e fará uma leitura própria de quem o vê por amor à nostalgia mas alguém que nem sequer saiba da existência da expressão «miss it by that much» ( «falhei por um bocadinho», uma das frases-cliché da série) irá com certeza sair satisfeito com a dose de entretenimento que acabou de saborear.

Os gags são bem esgalhados, as cenas de acção bem sacadas e o elenco tem uma química que é, em última instância, o que faz deste filme um objecto digno de ser visto. O carinho com que se nota terem entrado nas personagens faz com que, também o espectador, se sinta próximo das figuras.

Steve Carell não é Don Adams mas também não se apodera dos seus maneirismos, recriando Maxwell Smart à sua maneira e, por isso, provando a estratégia inteligente daquele que mais uma vez que mostra ser, de facto, um dos grandes actores de comédia que a sua geração trouxe. Anne Hathaway surpreende por já não ser a menina delicada a que estamos habituados e se revelar aqui na pele de uma mulher sensual cuja química e com Carell impõe um ritmo interessante à película. E, claro está, Alan Arkin fica bem em tudo o que participa, fazendo deste chefe uma boa reposição.

Imaginário recuperado com respeito pela origem e uma nova formatação é o que este Olho Vivo dos nossos tempos tem para oferecer. Essencial é levar para o cinema a vontade de assistir a uma comédia simpática, pouco pretensiosa e sem a ambição de roubar o estatuto da série. O outro Smart já ficou lá atrás, imortalizado e intocável num telefone que é sapato. Ou num sapato que serve de telefone.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 08:32
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