Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

"O" regresso da terra dos mortos

Ainda que as restantes estreias da semana não sejam nada de se deitar fora, haverá mesmo alguém a notar que chega às nossas salas alguma fita para além de O Cavaleiro das Trevas? Se notaram, então, meus amigos, andam a leste da sensação que o morcego tem gerado em todo o mundo. Como habitualmente às quintas, aqui ficam algumas notas sobre o segundo Batman de Christopher Nolan onde está também o último grande papel do nosso amigo Ledger. Mas assim, naquela forma, eu não quereria ser sua amiga. Grande vilão! O artigo esteve hoje no sítio habitual.


Em terras do Tio Sam, houve sessões esgotadas às três e às seis da manhã na madrugada do passado Sábado. No final da primeira noite, O Cavaleiro das Trevas tinha somado a módica quantia de 38 milhões de euros (61 em dólares). Depois de passado o primeiro fim-de-semana, havia quase mais 100 milhões de euros (158, na moeda americana) nos cofres da Warner Brothers. O filme é de regressos. O regresso do homem morcego, o regresso de Christopher Nolan à realização de um Batman e um regresso (da terra dos mortos) que, justamente, está a ajudar ao hype. É que o Joker de Heath Ledger pode mesmo levar um Óscar a título póstumo.

Até mesmo no Top dos 250 melhores filmes do site IMDB, O Cavaleiro das Trevas destronou tudo à sua passagem. Saltou para a frente do número um, irredutível desde há muito, O Padrinho. O entusiasmo à volta do último filme de Christopher Nolan, no sétimo tomo que o cinema já deu à série do morcego, poderá ser uma hipérbole que ultrapassa o real valor do filme mas, esclareçam-se as dúvidas: O Cavaleiro das Trevas é uma das melhores aventuras que um herói já atravessou no ecrã e um sério candidato aos melhores dez filmes do ano. E ainda que se possa contestar esta afirmação, há algo de inegável: Heath Ledger atinge com o Joker o papel da sua carreira, não sobrevalorizado pelo facto de a avaliação acontecer a título póstumo (o actor faleceu vítima de uma overdose acidental a 22 de Janeiro deste ano). Este Joker é um dos vilões mais perturbadores, bizarros e simultaneamente empáticos da história recente do cinema.

O Cavaleiro das Trevas retoma o ponto em que o realizador deixou Batman – O início (2005) junto a um Bruce Wayne (Christian Bale) cada vez mais em conflito com a sua identidade oculta e que, diariamente, se vê confrontado com a ténue e problemática linha que separa o bem do mal. A população de Gotham, cidade corrompida em todas as frentes, está cada vez mais de candeias às avessas com o herói mas, publicamente, sem máscaras e à luz do dia, há um nome que surge como a luz para acabar com o crime na metrópole: o do Procurador Distrital Harvey Dent (Aaron Eckhart, agora namoradinho de Rachel Dawes (Maggie Gylenhaal a substituir a mediana Katie Holmes), a advogada que tira o milionário industrialista Bruce Wayne do sério. Claro que, a tomar conta da luz em forma de morcego que ilumina a noite está o único polícia decente do sítio, o Tenente James Gordon (Gary Oldman).

Mas, o problema está no novo vilão que aterroriza Gotham a eito, sem especiais motivos nem ambições financeiras. O criminoso vestido de veludo roxo (o Joker) apenas gosta de gozar com os inocentes, os não-inocentes e todos os adversários em geral e provar que, a dada altura, até os mais imaculados se deixam corromper.

A fita, com a duração de cerca de duas horas e meia, segue sempre preocupada com o equilíbrio tripartido entre as aparições de Batman, do Joker e de Harvey Dent e, apesar de Heath Ledger oferecer uma interpretação que dificilmente fará algum espectador recordar as restantes, o triângulo funciona bem, sem deixar nenhuma das personagens sair a perder.

Para além disso, a direcção de Nolan oferece momentos de tensão inesquecíveis (sem interrupções) e imagens para mais tarde recordar (como aquela em que o Joker passeia num carro da polícia com a cabeça do lado de fora da janela com as luzes de Gotham como pano de fundo).

Muito do burburinho que se tem gerado à volta da película será certamente culpa da morte prematura de Heath Ledger, que poderá ( e, a ser nomeado, a probabilidade de o vencer é enorme) efectivamente receber um Óscar de Melhor Actor Secundário pelo corpo e alma que dá ao vilão do momento. Mas, separem-se as águas. Mesmo que se assista a’ O Cavaleiro das Trevas movido por uma pontinha de curiosidade mórbida, o filme justifica o hype sem precisar de recorrer a marketing póstumo.

Este cavaleiro é mais negro, este vilão é muito mais perturbador e, no final, sabemos que assistimos a um ensaio mais do que válido sobre a velha questão que o cinema tanto gosta de retratar: quando é que um herói deixa de o ser e onde está a fronteira entre o que é estar do lado da luz ou do lado das trevas?

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 18:47
link do post | comentar

mais sobre mim

pesquisar

subscrever feeds

posts recentes

Em coma...como a Noiva de...

Estrelas de cinema na pub...

Ensaios de luxo

Uma visita com Walt

Desculpas e mais desculpa...

O Sítio das Coisas Selvag...

Trailer de The Lovely Bon...

Ela quase emigrou mas est...

arquivos

Janeiro 2010

Outubro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

tags

todas as tags

links