Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Uma casa na bruma...junto ao farol

 

Um bocadinho de Del Toro (O Labirinto do Fauno) e um cheirinho de Amenábar (Os Outros) reunidos num filme que teria deixado Alfred Hitchcock orgulhoso...Tudo misturado por um realizador estreante no cinema (Juan Antonio Bayona), espanhol, com um cinema muito mais maduro do que esperaria de um quase newbie e com argumento de Sergio G. Sánchez.

 

Um farol, nevoeiro, fantasmas, uma casa gigante (como se impõe), uma grande (GRANDE) interpretação e muito mais para oferecer para além do puro suspense em que O Orfanato nos mantém durante as suas duas horas de duração.

 

Já este ano o cinema espanhol nos tinha deixado meio boquiabertos com o excelente e impróprio para cardíacos REC mas, eis que, sem aviso nem expectativas criadas, os vizinhos aqui do lado voltam a mostrar que são exímios neste tipo de produções.

 

A história abre com um fantástico genérico em que pequenas mãos de crianças vão rasgando papel de parede (sinistro por si só) e segue anunciando que a produção tem o apadrinhamento registado de Guillermo Del Toro. Depois, entramos num mundo de coisas por dizer e histórias por contar que assombram o presente de uma casa.
 

Belén Rueda (fantástica em Mar Adentro mas que aqui tem um desempenho ainda mais sublime e com maior protagonismo) veste o pesado papel de Laura, uma filha adoptada e uma mãe de adopção que tem como meta de vida regressar ao orfanato que a criou para tomar conta de algumas crianças menos afortunadas. Consigo leva o filho e o marido, nunca adivinhando que o seu próprio pequeno vai ser roubado de si depois da mudança.

 

A casa tem, desde início, várias presenças estranhas, sombras que nunca a abandonaram, e vai, à medida que o argumento se fecha em acontecimentos inexplicáveis, ficando cada vez mais possessiva, mais protagonista. Quase mais do que os próprios actores - em grande parte por mérito de Bayona que filma a casa como um sábio e nunca nos deixa esquecer as antigas, às vezes invisíveis presenças, que sabemos deambularem por ali.

 

Em O Orfanato há um forte suporte narrativo, para além de uma pausada, muito bem estudada câmara, que nos deixa saborear a casa, estudar os seus recantos, perceber a sua luz e a sua escuridão, mas, ao mesmo tempo, provoca a tensão ideal para que não percebamos bem os passos das crianças. Há a força da história de uma família muito invulgar, afrontada por fardos com poder para dobrar a coluna ao meio bem com o peso que tem a história de uma mãe a lidar com a perda da forma que pode.

 

Está garantida uma sessão em que os braços da cadeira podem não parecer suficientemente fortes para conter a força das mãos do espectador. Estão assegurados uns bons saltos de susto. Está confirmado um dos filmes do ano até à data.

 

E é muito curioso perceber que, de facto, parece haver um estranho mecanismo psicológico que provoca nos adultos um inexplicável medo desses mistérios chamados crianças. Mesmo o tema "adopção" é simbólico para esse desconhecimento em relação aos mais pequenos tantas vezes mostrado no cinema e aqui com mais um retrato intrigante que promete durar na memória.

 

 

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 11:47
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