Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Uma semana de desilusões

Numa semana em que esperava ter dois pesos pesados a encher-me as medidas, as expectativas foram defraudadas e sinto-me como alguém a quem contaram o conto do vigário. Ainda que Hulk seja entretenimento digerível, está longe de ser o que se esperava (eu sou das que gostaram do filme de Ang Lee) mas a maior desilusão veio com The Happening. Falaremos sobre ele mais tarde mas, esta que vos escreve, está convicta de que Shyamalan perdeu de todo a cabeça.

Por agora, fiquem com as notas sobre O Incrível Hulk saídas directamente do sítio do costume.

 

No Verão dos Super-heróis, a Marvel começa a preparar a grande reunião. Iron Man, X-Men ou Capitão América estarão na convenção de 2011, onde os Avengers (Vingadores) se sentarão à mesa na mesma cimeira de que Hulk também é fundador. Em O incrível Hulk, o realizador Louis Leterrier não volta às origens mas também não continua o filme de Ang Lee. Regressa ao início sem grandes explicações nem demoras junto de Bruce Banner. Usa o verde do monstro em estado quase permanente. A este Mr. Hyde que grita «Hulk, Smash!» pouco sobra de Dr. Jekyll.

Em 2003, Ang Lee contava as origens de Hulk, o cientista nuclear Bruce Banner depois de banhado em radiação gama e na iminência de um fluxo de raiva, e via o seu filme receber críticas muito desfavoráveis. Para este segundo Hulk, Louis Leterrier resolveu explicar por alto o que causou a mutação e não se debruçar muito sobre o passado e os dramas presentes de Bruce Banner (Edward Norton). Também achou por bem não continuar a história em que Ang Lee tinha pegado (seria um peso de grande responsabilidade) e recomeçou no ponto de partida.

Encontramos um Banner exilado nas favelas do Brasil, longe da sua mais-que-tudo, Betty Ross (Liv Tyler), e incessantemente em busca de uma cura para a doença que o transforma em monstro verde quando lhe chega a mostarda ao nariz. A perseguição, essa, nunca pára. Já se sabe, ele até quer ser deixado em paz, mas o exército do General Thaddeus «Thunderbolt» Ross faz tudo o que pode para não lhe perder o rasto.

No entanto, para além dos artilheiros há um militar dotado de capacidades especiais para enfrentar o Hulk. Depois de Uma segunda juventude, Tim Roth parece começar a ser o actor eleito para encarnar homens em rajadas de rejuvenescimento. No filme de Francis Ford Coppola é um idoso que, depois de atingido por um raio, enfrenta uma nova e inesperada juventude. Em O Incrível Hulk é Emil Blonsky, um soldado de quarenta anos a precisar de voltar aos trinta, feito que consegue graças a umas pouco simpáticas injecções na espinha. Mas Blonsky transformar-se-á no inimigo mais temível de Hulk, um monstro que consegue superar a sua força, o Abominação.

Quando Hulk chega ao cinema em 2003, traz consigo uma longa história nos livros da Marvel e a adoração de muitos fãs da BD. Foi em 1962 que o lendário Stan Lee (como sempre, com direito a cameo no filme) e Jack Kirby criaram a primeira BD com Bruce Banner. Lee diz ter querido cruzar Frankenstein com Dr. Jekyll e Mr. Hyde e garante ter-se perguntado se «Não seria divertido criar um monstro e fazer dele o bom da fita».

Um ano e seis edições depois de BDs em que foi o único protagonista, a Marvel cancelou Hulk. Apareceria posteriormente junto ao Quarteto Fantástico e viria a ser um dos membros fundadores dos Avengers (uma coligação maravilha de super-heróis) mas, só em 1968, voltaria a ter um espaço só para si.

Este Verão, ele renasce, muito diferente da nova vida que Ang Lee lhe tinha dado e mais próximo das sucessivas brigas e perseguições em que a personagem original tendia a envolver-se. Este Hulk com guião de Zack Penn e, supostamente, de Edward Norton (que reclama para si o envolvimento na escrita), esmaga, mata, eleva para outro patamar a contagem de corpos e, em várias ocasiões, oferece ao espectador acção a bom ritmo em lutas entusiasmantes.

Apesar disso, falta o lado que a Marvel sempre faz questão de dizer ser o que faz dos seus heróis super-heróis. Falta a este Hulk mais de Bruce Banner. Quando a fita se aventura na história do homem revela a xaropada entre o protagonista e a pouco impressionante Betty Ross em vez de desvendar, tal como se esperaria, o conflito interior entre monstro e homem.

De salientar ainda é o facto de o CGI não estar perfeito. A técnica usada foi a de motion capture (os movimentos dos actores são capturados e é a partir deles que se criam as personagens virtuais) e, como tal, percebemos que por trás dos bonecos estão efectivamente Norton e Roth. Mas, falta-lhe o efeito de realismo de que o Hulk de Ang Lee se aproximava mais.

Roubando o título ao prémio da MTV, Homem de Ferro continua como detentor do troféu «Melhor filme de Verão até à data». Contudo, valerá sempre a pena não esquecer O Incrível Hulk como um dos primeiros passos para a cimeira de 2011. E essa reunião de chefes de estado heróicos, ninguém poderá perder.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 09:32
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1 comentário:
De Dreamweaver a 12 de Junho de 2008 às 12:13
Devemos ser dos poucos que gostaram da versão do Ang Lee... Vou ver hj o que e este take do Norton tem de inovador em relação ao anterior.
Bj

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