Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Os 100 anos do Regicídio

Nunca alguém se lembrou de tornar em filme a história do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe D. Luís. No entanto, a Cinemateca encarregou-se, para assinalar os cem anos do regicídio, de organizar um ciclo dedicado a um tema que pode chegar a parecer mórbido.

"Regicídios" é o nome da programação composta por doze filmes sobre «outras vítimas dos combates da história que tiveram lugar ao longo dos séculos um pouco por todo o mundo, desde Júlio César ao czar Nicolau II».

Do regicídio português só virá um pequeno filme mudo que em Fevereiro de 1908 registou os funerais dos monarcas.

Se estiverem numa onda sangrenta, passem por lá.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 20:15
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Maravilha do dia

É oficial. Vai ser ele a realizador O Hobbit.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 20:06
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O obrigatório Sweeney Todd: Visão apurada do gótico e do gore

Se alguns acreditam que Sweeney Todd existiu realmente e que matou 160 pessoas na Londres do século XVIII, a grande maioria não tem dúvidas de que é uma personagem fictícia. O homem que afinal não terá instalado a sua cadeira em Fleet Street nem terá usado as suas lâminas de prata nos finos pescoços dos clientes, chega agora ao grande ecrã pela mão de Tim Burton. O cineasta faz renascer o sangrento barbeiro londrino e prova que ele continua a fazer jorrar litros de sangue como ninguém.

Apareceu pela primeira vez no texto «The String of pearls: A romance». Cresceu para ganhar forma como peça de teatro, foi adaptado para a televisão e ganhou lugar no cinema. Mas nada levaria o nome Sweeney Todd tão longe como o musical de Stephen Sondheim o fez. O compositor, com a proeza de ser o único americano a ter vencido um Óscar, um Tony, um Grammy, um Emmy e um Pulitzer, pôs o espectáculo em cena durante anos e, hoje, ele continua a ser adaptado pelo mundo fora. Mesmo que pouco mais se conheça, não há quem não saiba que Sweeney Todd é um terrível barbeiro assassino.

Tim Burton, já se sabe, tem uma relação profissional com Johnny Depp desde Eduardo Mãos de Tesoura. Os dois assumem a confiança mútua e o actor já disse por várias vezes que não tem medo de entrar no estranho mundo de Burton porque sabe que nunca parecerá ridículo, mesmo que as personagens sejam as mais bizarras.

O cineasta partiu para a aventura de juntar ao nome do barbeiro mais famoso do mundo o seu imaginário e os «seus actores». A saber, o amigo Depp e a mulher Helena Bonham Carter. Ofereceu-lhe o papel de Benjamin Barker, aliás Sweeney Todd, e reservou para ela a neuroticamente apaixonada Mrs. Nellie Lovett. E a equipa triunfou.

Mas «Sweeney Todd» é um musical. Como seria ver um elenco que não canta a cantar, usando os atributos vocais com que veio ao mundo? A resposta revela-se pouco depois da estranheza inicial. As músicas são interpretadas de forma sangrenta quando precisam de o ser, de maneira mais doce (na medida certa) quando o ritmo assim o pede e com uma carga dramática pesadíssima, se o filme precisar dela para contar a história da vingança do barbeiro.

Porque a história é essa. A de um barbeiro que se quer vingar. Há quinze anos atrás, quando estava casado e feliz junto à mulher e à pequena filha, o também terrível Juiz Turpin (Alan Rickman) prendeu-o e quis roubar-lhe a esposa. Agora, de volta a Londres, segundo os protagonistas, o sítio mais inesquecível do mundo, o barbeiro bonzinho é um homem amargurado, com uma sede de vingança insaciável. Transformou-se, mudou de nome e prometeu matar os que o tramaram.

Instala-se na sua antiga barbearia, por cima do local onde a senhora Lovett faz as suas intragáveis empadas, recupera a sua antiga cadeira e, para que o seu braço fique completo, pega de novo nas suas lâminas.

Mas aquela que prometia ser uma pequena grande vingança, acaba por se tornar numa série de assassinatos com rios de sangue a escorrer e muitas gargantas esfaqueadas.

O realizador cria um cenário de luz escassa, muitos cinzentos e muito, mas muito, vermelho (alguns poderão lembrar-se das cores de «A lenda do cavaleiro sem cabeça»). As visões góticas que lhe são tão caras acolhem um gore necessário para não adocicar aquilo que se quer amargo.

O «Sweeney Todd» de Tim Burton, como tudo o resto na sua carreira, é imaginativo, atento aos pormenores e surge rejuvenescido. Na idade (os actores do musical rondavam a casa dos 50 ou 60) e na forma, o realizador fez a adaptação cinematográfica que qualquer musical sonharia em ter, sem nunca passar para lá do trágico nem atravessar para além da mágoa e do romance que é essencial à história.

O sempre irrepreensível Johnny Depp quase é ofuscado pela obssessiva encarnação de Helena Bonham Carter e Alan Rickman é um vilão com mal a sair pelos poros. Vale a pena não esquecer que nos créditos finais está ainda o nome de Sacha Baron Cohen. Ele é Pirelli, o concorrente de profissão de Sweeney Todd e protagoniza o lado cómico que se destina a aliviar o clima cortante de todo o filme. Na cadeira de Todd a lâmina é afiada, talentosa, perfeita. No filme de Burton a história repete-se.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 15:16
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O que eu gosto da obra de Ang Lee na sua língua materna!

Na toca do inimigo, mesmo ao lado do alvo marcado. A rapariga do filme passa a mulher nas mãos daquele que ela e os seus querem matar. Ela é actriz, forçada a tornar-se espia. Em «Sedução, Conspiração» o difícil é perceber até que ponto o distanciamento persiste ou quando é que a razão se vai embora.

Em 1942, ela é a Sra. Mak (Tang Wei) mas, anos antes, numa China às portas da II Guerra Mundial, era a ingénua Wong Chia Chi. O seu pai tinha fugido para a Inglaterra e ela tinha ficado sozinha, meio perdida, à solta numa universidade desconhecida. Como caloira, conhece Kuang (Lee-Hom Wang), um dirigente estudantil que canaliza as suas ideologias para um grupo de teatro. O perfil inato de líder de Kuang move Wong Chia Chi a juntar-se às suas peças patrióticas. Os espectáculos escolares tinham agora uma nova vedeta cujo talento tinha estado escondido mas que se preparava para arrebatar o público…e servir causas maiores.

Este é o retorno do premiado Ang Lee à sua língua materna. Desde «O Tigre e o Dragão» que não voltava a usá-la. Cineasta a querer provar a sua versatilidade, fez de Eric Bana o Hulk e acumulou prémios com o amor dos dois cowboys em «Brokeback Mountain».

Mas, em 2007, decidiu adaptar a história sobre a conspiração de um grupo de estudantes chineses e sobre o seu plano para matar um colaborador japonês que a escritora Eillen Chan tinha deixado no papel. Lee quis torná-la também sua.

O realizador chinês é reconhecido pelas suas viagens intimistas, de intenso dramatismo, mas também pela sua câmara próxima, intrusa e crua. A mesma linha continua neste seu mais recente trabalho mas o que se conta neste filme parece sair-lhe de uma forma tão natural como se tivesse sido ele próprio a protagonizar o conto.

Ang Lee intrometeu-se nas cenas de sexo entre o Sr. Yee (o mítico actor Tony Leung cuja lista de filmes asiáticos é interminável) e a Sra. Mak, acendendo a polémica. Em muitas críticas se falou que as imagens mais quentes eram exageradas ou até ofensivas. Não se ficou por aqui e descobriu mais uma promessa do cinema asiático, a jovem actriz Tang Wei, que construiu uma personagem sofrida com um perfil que, na prática, obriga a actriz desdobrar-se até um estado de múltipla personalidade.

Criou, passo a passo, e compassadamente, uma história de espionagem com um contexto histórico pouco retratado no cinema que chega até Hollywood e com cenas tão bem pensadas que trazem à memória delicados quadros expressionistas. Não há como encontrar mau gosto em arte como esta.

De regresso à história, a protagonista torna-se amiga da mulher de Yee, membro da sua trupe de mahjong e, eventualmente, alarga o seu papel ao de amante do marido. O objectivo é tornar-se tão indissociável do alvo que seja tão fácil abatê-lo como a um rato numa ratoeira. Mas os dois vão seguir por caminhos que nunca tinham experimentado até que a actriz não consiga representar e o homem frio não se consiga afastar.

A espionagem é feita pelos melhores actores em cena e este jogo de sedução não é mais do que uma bem ensaiada peça de teatro. Ou é? Até quando conseguirá a actriz ser apenas uma representante do papel que lhe incumbiram se esse papel envolve a pessoa que o interpreta numa rede confusa entre emoções e relações?

Como o título em inglês avisa, o filme envolve luxúria («Lust») mas é preciso ter muito cuidado para não saltar até ao lado perigoso do jogo («Caution»).

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 15:12
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A semana de estreias começa com Into the Wild

Há quatro estreias para esta semana. Três já passaram pela vista desta vossa cara amiga e faremos com que a outra passe até ao final do fim-de-semana. A verdade é que as três sobre as quais já tenho direito de opinar valem o preço de um bilhete. Até de dois. Até de três, vá.
Começo por vos deixar algumas notas sobre Into the Wild para depois passar aos seguintes filmes e terminar no mais entusiasmante. Tudo saído do sítio do costume.

24 mil dólares para a caridade, uma mochila às costas e uma viagem até ao mais primitivo que o ser humano tem. Foi o que fez Christopher McCandless. Hoje, chega às salas de cinema um filme sobre os caminhos que percorreu, sem nada, nem um tostão, só a crença de que é possível sobreviver sem os confortos da cidade.

O Lado Selvagem (Into the Wild no original) começa por confessar que o título é fiel ao filme. Um jovem sai de um carro num campo coberto de neve. O condutor diz-lhe só o pode levar até ali. Para lá da barreira, o caminho apresenta-se perigoso mas, para o protagonista, indispensável.

Voltamos atrás, até à altura em que o jovem Christopher McCandless (Emile Hirsch) termina a Universidade. É um aluno de topo e um atleta requisitado. Tem uma família conservadora, esforçada por manter aparências, e uma única relação próxima, com a irmã.

Chris decide deixar tudo para trás, abandonar os privilégios que a sociedade lhe concede e partir numa viagem de busca existencial, uma espécie de desintoxicação alimentar do lixo de que a vida com os outros está cheia. Não quer ter de se relacionar com alguém e acredita que o dinheiro é um bem supérfluo. Ele vê na viagem até uma eventual epifania a obrigatoriedade de se libertar de tudo isso, porque isso cobre o seu espírito de uma névoa maléfica e não o deixa ver com clareza.

O filme do Sean Penn realizador tem sido aclamado pela forma penetrante como aborda as relações humanas e a busca de um sentido para a existência, pela espantosa fotografia e pela astuta realização que admira uma relação a dois: a dele com a natureza. Chega às salas portuguesas com duas nomeações para os Óscares, para melhor montagem e melhor actor secundário no nome de Hal Holbrook, com vitórias nas principais categorias dos prémios dos críticos americanos.

Mas não serão os prémios a justificar a compra de um bilhete. Será antes a interessante decadência psicológica de um homem remetido para o seu estado mais primitivo, em cenários que já não nos lembramos de ver no cinema porque o cinema não os contempla vezes suficientes.

Entre as paragens que adicionou ao seu roteiro espiritual, o protagonista vai cruzando o caminho de algumas pessoas. Essas são as únicas interacções sociais que tem. Entende-as como verdadeiras mas regressa sempre, para o único local onde a realidade se apresenta palpável. A última paragem seria o Alaska, nas mais duras condições, um teste final para o curso que aceitou fazer. Lá encontrará, à sua maneira, o sentido que tanto procura.

O actor Emile Hirsch recebe aqui a oportunidade para se fazer notar e avança com um bom trabalho. Se por acaso desconhecia a informação, o espectador fica a saber, no decorrer do filme, que a figura da personagem de Hirsch tem uma correspondência verídica. Não que isso importe muito para o realizador mas Christopher McCandless é um homem real que fez na verdade a mesma viagem da fita.

Em O Lado Selvagem estão a mesma obsessão, os mesmos ideais e a mesma busca incessante que no livro de John Krakauer fizeram Christopher McCandless mudar até o nome e transformar-se em Alexander Supertramp.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 15:06
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Tabela de estreias



Cá vai a tabelinha do mês. No quadrado para o Woddy Allen andei indecisa entre o Annie Hall e o Match Point mas, porque o último parece falar mais para os que nasceram pelas minhas alturas, fiquei por aí.
As estrelas que dei a'O Assassínio de Jesse James pelo cobarde Robert Ford acabaram por não entrar mas aproveito para vos dizer que eram cinco (na realidade 4,5 arredondadas). Segundo me diz o organizador desta nobra iniciativa poderemos vir a gozar de uma maior precisão. Aguardamos o regresso da Helena que decidiu fazer uma pausa na blogosfera.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 14:07
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2008

Nota do dia



Para posterior utilização de quem quiser usar a dica: tentar evitar a sessão de cinema de John Rambo.

Depois da surpresa de Rocky, este é uma desilusão. Desta vez a figura mítica não chega para salvar o cenário. A não ser que o entendamos pelo lado positivo e passemos um bom tempo a rir.
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publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 20:22
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Bons documentários de e sobre a Cova da Moura

Somos bombardeados com manchetes, reportagens, conversas de metro sobre a Cova da Moura. Na maioria das vezes, não ouvimos nada de bom. Mas agora, a produtora Até ao fim do mundo decidiu convidar os jovens da Cova da Moura para construirem a sua própria visão sobre o seu bairro.

Seis grupos filmaram seis curtos documentários (de cinco minutos cada) e escolheram assuntos que queriam ver dabatidos: a relação da Polícia com os moradores («Outra Visão»), o abandono escolar («Não Larguem a Escola!»), o dia-a-dia das mães no bairro («Bom Dia!»), o futebol («Bola Ku Nós»), o hip-hop («Kova Hop(e)»), os ex-reclusos («De cabeça Erguida»).

A habitual imagem negra do bairro foi trocada pela confirmação de que ali dentro também há talento e, a mesma produtora, está já a preparar uma série de ficção sobre a Cova da Moura rodada com moradores do local.

Podem ver aqui o trabalho da colega do SAPO, Vera Moutinho, e aproveitar para dar uma vista de olhos em excertos dos documentários.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 20:44
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E a alegria do dia é...



Este senhor em negociações para realizador The Hobbit?! O único à altura para substituir Peter Jackson?! Grande notícia para esta dedicada fã!
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:53
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Um agradecimento para recordar

Ontem, ao receber o prémio máximo do Screen Actors Guild, Daniel Day-Lewis fez questão que o discurso fosse notado. Tal feito não seria difícil, dada a escassez de agradecimentos nesta temporada de prémios, mas ele fê-lo com um sentido de responsabilidade digno de nota.

Talvez o recordemos por recordar Heath Ledger quando, daqui a uns anos, de vez em quando, se falar do actor que calculamos ficar imortalizado na imagem do Joker. Eu fiquei convencida. A plateia também. E vocês?

Nota: Depois do vídeo, aconselho uma passagem por aqui. Christopher Nolan deixou na Newsweek a sua homenagem a Ledger. Notável!

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:35
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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Um sinal para No Country for old men?

O filme dos irmãos Coen venceu, ontem à noite, o prémio máximo do Director's Guild of America. Geralmente, este galardão costuma ser um sinal para aquele que poderá ser considerado o melhor filme na cerimónia dos Óscares. No ano passado, Martin Scorsese também o venceu e levou para casa a estatueta dourada com a inscrição "motion picture".

Joen Coen, com a descontracção do costume, reagiu desta forma ao prémio:

"Eu e o Ethan temos uma prateleira lá em casa onde pomos os prémios que temos conquistado ao longo dos anos e ao qual chamamos o canto do nosso ego. Quando ele está a ter um mau dia começar a dar lustro às estatuetas e sente-se logo melhor."
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:46
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The Oscars: O processo de fabrico



Afinal, como se fazem as estatuetas? O processo é demorado mas, no final, o brilho ofuscante do ouro e a inscrição nos pé do senhor parecem ser recompensa suficiente para todo o trabalho.

Vejam aqui uma jeitosa galeria de fotos.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 14:44
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