Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

A qualidade faz a antecipação

Das estreias desta semana falhei We own the night e, por isso, não estou em condições de dizer que Dan in real life é o melhor filme da semana. Contudo, de todos os que vi, tenho de o colocar no altar. E olhem que há zombies do Romero...

Deixo-vos o artigo , um bocadinho mais cedo do que é costume porque também chegou mais cedo por aqui.

Colunista viúvo e pai de três filhas com medo de voltar a envolver-se encontra quarentona enérgica que, azar dos azares, namora com o irmão. Que esta telegráfica e aparentemente comum sinopse não seja entendida à letra. Amor e a vida real não pode descrever-se sem se experimentar. É que Steve Carell e Juliete Binoche não são um par qualquer e, de corriqueiro, este filme pouco tem.

Steve Carell tornou-se conhecido por fazer parte da equipa de Jon Stewart em Daily Show. Daí saltou para o cinema em Bewitched, fez-se ver em Virgem aos 40 anos (que co-escreveu com Judd Apatow) e recebeu muitos elogios pelo papel em Little Miss Sunshine. A par ia fazendo o personagem que talvez lhe tenha trazido maior reconhecimento. O da sobre-humanamente irritante criatura Michael Scott na versão americana de The Office. Para este Verão todos esperam o remake cinematográfico de Get Smart mas, por agora, é com Amor e a vida real que Carell volta em força. Uma interpretação a paredes meias com a de Little Miss Sunshine, com maior protagonismo e menos excentricidade mas igualmente maravilhosa.

Conhecemos então Dan, um colunista de jornal bem sucedido, mais ou menos recentemente enviuvado com três filhas para criar. Dan parece não viver para além da coluna que escreve – e onde dá conselhos práticos sobre a vida em geral mas vive o paradoxo de nunca as pôr em prática - até que, um dia, se cruza com uma adequadamente apropriada senhora numa livraria e começa a repensar a vida.

A senhora em questão chama-se Marie (a cada vez mais rejuvenescida Juliete Binoche) mas, como o obstáculo tinha de aparecer, é, por coincidência, a namorada do irmão de Dan, Mitch.

Tivesse o filme quaisquer outros protagonistas e este artigo não seria o mesmo mas, em O Amor e a vida real, reúne-se o par improvável da diva francesa com a divindade da comédia americana e o clique entre os dois não poderia ser melhor. Faz o filme.

A sustentar as interpretações há um argumento do também realizador Peter Hedges e de Pierce Gardner que não se limita a repetir a fórmula «triângulo-amoroso-encontra-família-disfuncional» e guia o espectador pelas nuances de uma meia-idade experiente e sofrida que, ainda assim, apalpa o enorme terreno que tem para descobrir.

Depois há momentos preciosos como aqueles em que sucessivamente o pai vai proibindo uma das filhas de ver «o amor da sua vida» ou como as escapadelas adolescentes de um casal de quarentões em negação. Em jeito de sussurro, está lá o retrato familiar conflituoso que não é nem demasiado sereno nem over the top. Talvez Dan pudesse viver mesmo aqui ao nosso lado e escrever num dos nossos jornais.

De Dan in Real Life ficam também as imagens. A cor apropriada, quente como os personagens. Os cenários pop como a pista de bowling ou o bar com jukebox. Muitos podem lembrar-se do que Little Miss Sunshine despertou. Esta nova vaga de filmes indie que não o são a 100% veio para ficar e Dan in Real Life é mais um exemplo de que, com uma comédia, bons actores e um bom argumento, se pode dizer muito de uma forma muito simples. Tal como na dita vida real.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 18:05
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1 comentário:
De Loungeart a 17 de Abril de 2008 às 13:46
Olá, também adorei o filme é fantástico e tem como sempre um actor que para mim é um dos melhores que anda pelas bandas Americanas, Steve Carell . Também concordo que a nova vaga de filmes "indie ", são uma lufada de ar fresco no cinema Americano. Um abraço.

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