Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Manoel de Oliveira está a bater nos 100...

...mas nem aos 70 fazia filmes assim. Perdoem-me mas, com todo o respeito que tenho pelo senhor, não posso deixar de fazer esta comparação despropositada (só mesmo porque tem piada). Falo de Youth without youth, o novo do novíssimo Francis Ford Coppola. Aos 68 anos, fazer filmes assim é obra. Aqui ficam as notas sobre ele.

Francis Ford Coppola tem 68 anos e já não realizava um filme há dez. Tem cinco Óscares em carteira, O Padrinho como imagem de marca e o Drácula de Bram Stoker como o seu último grande filme. Hoje volta rejuvenescido. Os anos não se notam porque Coppola está a gozar Uma segunda juventude.

Foi em 1997 que Francis Ford Coppola, do clã Coppola, que tem árvore genealógica para continuar o negócio da família (os filhos Sofia e Roman e o sobrinho Nicolas Cage), fez o seu último filme, The Rainmaker. Para trás, todos recordam a trilogia O Padrinho, Apocalypse Now ou O Drácula de Bram Stoker como fitas com direito a entrada directa na lista «a ver antes de morrer». Coppola demorou, digeriu, procurou chegar àquele projecto que tinha de fazer e voltou reinventado com Uma segunda juventude.

O realizador decidiu levar até ao cinema o livro de Mircea Eliade, um escritor e historiador religioso romeno reconhecido mundialmente, tendo levado consigo as profundezas dos seus estudos.

No centro está o actor Tim Roth, o escolhido (e bem escolhido) para interpretar o papel larger than life (literalmente) de Dominic Matei, o professor de linguística que tem como projecto chegar à origem de todas as linguagens. Um dia, o mesmo dia em que planeava suicidar-se com estricnina, é atingido por um raio e sobrevive milagrosamente.

Mais, o encontro com o perigoso acontecimento meteorológico deixa-o com uma capacidade incompreensível para um homem de 70 anos – curiosamente ou não, a idade aproximada de Coppola. É que Dominic parece um cavalheiro de 40 e, para além da visível revitalização física, tem a memória de um elefante nos seus melhores dias.

Uma segunda juventude apresenta-se no cenário da II Guerra Mundial, com interesses nazis à volta do fenómeno Dominic Matei e com conspirações típicas das forças de segurança alemãs. Ao mesmo tempo, Uma segunda juventude é um filme sobre um super-herói que, como todos, passa pela fase de estranheza face ao novo poder e depois decide usá-lo da forma que mais o beneficia. A não esquecer, Uma segunda juventude é uma história de amor entre uma mulher reencarnada e em regressão até aos primórdios dos tempos (Alexandra Maria Lara) e um homem a procurar as origens das coisas. É uma dissertação filosófica sobre os meandros de um eu em decomposição.

Todas estas partes apoiadas pelo todo que é composição visual de Coppola. O mesmo homem que consegue fazer poesia com planos invertidos e colocar delicadamente símbolos religiosos (rosas vermelhas) nas mãos do protagonista naquele momento certo.

Uma segunda juventude é, ainda mais, uma viagem bipartida. Ao espectador que assistir a uma sessão com intervalo, poderá ficar a sensação de que, no início da segunda parte, entrou num filme diferente. Mais demorado, menos negro na estética mas mais escuro na narrativa. Uma segunda metade que, embora sempre meticulosamente arrumada pela câmara do cineasta, tende a alongar-se mais do que deveria.

Coppola revisita-se, rejuvenesce e encontra também uma nova idade. Youth withouth youth, à letra Juventude sem juventude é-o para o personagem principal mas acaba por não o ser para Coppola. Esse, apesar dos cabelos brancos, voltou em força e talvez não seja necessária mais uma década para que volte a fazer história com os seus filmes.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:34
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2 comentários:
De LOUNGEART a 11 de Abril de 2008 às 09:23
Existem filmes que são soberbos e que nos põem a pensar, este é sem dúvida um dos que vai ficar nessa galeria. Coppola é um mestre na arte de realizar, os 10 anos de paragem fizeram-lhe muito bem, adorei o filme e o excelente Tim Roth. Deixo só aqui uma nota, de certeza que vão ouvir falar muito da bela Alexandra Maria Lara ( está linda no Control). Um abraço.
De Quanto Mais Quente Melhor a 12 de Abril de 2008 às 08:33
O Control é uma jóia. :)

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