Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Sleuth: Michael Caine e Jude Law em trocas amigáveis

Deu-lhes para isto. Fazer um remake destes é um risco assumido e a equipa não conseguiu ser bem sucedida. Apesar de tudo, continuo a gostar dos dois (por umas razões mais de Caine do que de Law, por outras na relação contrária). Aqui fica o artigozito habitual directamento do sítio de sempre.

Já o tinham feito em Alfie e agora repetem-no em Autópsia de um crime. Os papéis que um dia pertenceram a Michael Caine são agora oferecidos a Jude Law. Desta vez Caine só troca de lugar e contracena com o seu sucessor numa adaptação de um filme de 1972. Chama-se Sleuth, em português Autópsia de um crime, e leva-nos até uma casa cheia de obsessões e invejas. Dois homens no centro de um mútuo e calculado crime (jogo) passional.

À primeira cena deste remake é facilmente perceptível a actualização no tempo. À entrada de uma isolada mansão, na ponta da tecnologia, está um consideravelmente caro automóvel. Um segundo, bem menos apresentável do que o primeiro, é-nos mostrado através das câmaras de vigilância da pomposa casa. Estas são as escassas imagens exteriores.

A visita é Milo Tindle (Jude Law), um jovem actor no desemprego que toca à campainha para conversar com Andrew Wyke (Michael Caine), um homem abastado e escritor de best-sellers policiais. A casa reflecte as posses do dono. A conversa deverá servir para Milo convencer Andrew a divorciar-se da mulher, recentemente fugida com o actor de ascendência italiana e, às primeiras vistas, parece estar a resultar.

Wyke apenas impõe uma condição: o amante tem de conseguir manter o estilo de vida luxuoso de Maggie - a mulher - e, como tal, deverá seguir à risca um plano fraudulento que o dono da casa engendrou e que, de acordo com o que está agendado, deixaria Tindle com jóias suficientemente valiosas para fazer uma exposição num museu. Por detrás da encenação há uma vingança latente que depressa vem ao de cima e que fará de Sleuth uma espiral de chantagens, jogos físicos e psicológicos e crimes perfeitos (ou nem tanto).

O filme resulta da ambição de Jude Law, aqui no papel de actor/produtor, que tinha o desejo, também latente, de recriar a peça de teatro de Anthony Schafer levada ao cinema por Joseph L. Mankiewicz em 1972. Law convidou o prémio Nobel da Literatura Harold Pinter para reescrever um guião, insistiu com ele para aceitar o convite e acabou por conseguir adicionar o seu nome aos créditos. Depois, falou com Michael Caine, que interpretava o papel de Milo ao lado Laurence Olivier na primeira versão da fita, persuadiu-o a trocar de papel – desta vez para o de Andrew Wyke – e a contracenar com ele. Para a realização, veio Kennet Branagh, director de Henry V e do Frankenstein de 1994 com Robert De Niro.

Com este Sleuth de 2007, assinala-se a segunda vez que Jude Law interpreta um papel anteriormente desempenhado por Michael Caine (o primeiro foi em Alfie). Mas, fazer um remake de um filme tão aclamado acarreta sempre o risco da desilusão. O original tinha sido nomeado para quatro Óscares, incluindo duas nomeações para melhor actor para os protagonistas e uma para melhor realizador na pessoa de Mankiewicz, com justa causa. Afinal, era uma encenação teatral transposta para o ecrã de forma exímia.

Esta segunda forma não consegue estar à altura da inspiração. Algumas esquizofrenias e encenações a mais e o drama arrisca-se a cair no exagero. Grande parte do filme vista através do sistema de vigilância de Wyke e a minúcia visual passa a ser desgaste estético. Mesmo a força de Michael Caine parece perder-se no meio de um personagem que perde coerência à medida que inventa subtilezas de personalidade (diferentes das existentes na versão de 1972).

Quanto a Jude Law, talvez tenha apenas querido satisfazer um capricho seu: (re)produzir um filme protagonizado por si próprio, rodear-se de nomes sonantes e poder dizer que não é só uma cara perfeita. E ele é mais do que isso.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 16:10
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