Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Quartos, corredores e salas pecaminosas no Palácio

Consta que a melhor estreia da semana é Caramel. Ainda não tive oportunidade de lhe pôr os olhos em cima mas aproveito para vos falar do que já vi: The other Boleyn girl (título tristemente traduzido para Duas irmãs, um rei). Nada de muito surpreendente mas, ainda assim, uma sessão bem passada.

O triângulo amoroso é uma das histórias mais antigas a ter lugar no cinema. Mas quando a escolha entre uma ou outra mulher implica o desastre de um reino, a importância serve-se acrescida. Ele é o rei Henry Tudor e elas são as irmãs Boleyn. Entre Anne e Mary está a distância de um reinado.

A fazer a adaptação do romance de Philippa Gregory está Peter Morgan, cujos créditos incluem, recentemente, A Rainha. Morgan volta a uma corte bem distinta da anterior e centra-se apenas no que se passa num círculo fechado: o do quarto do rei (Eric Bana). Um monarca obsessivo, mimado, que dobra tudo à sua vontade e que está farto de esperar que a sua mulher, a rainha Catarina de Aragão, – que teria de surgir com uma verruga na cara – lhe dê um filho varão.

No campo, a família Boleyn, cega de ambição, sabe da janela de oportunidade para colocar uma das suas filhas no leito do rei. Distrair o homem principal do reino para conseguir riqueza para o agregado familiar.

À cabeça estão duas irmãs: Anne (Natalie Portman) e Mary (Scarlett Johansson). A primeira está solteira, é impulsiva e sedutora. A segunda é doce, delicada e fiel aos valores familiares que exerce com o seu marido.

Mas o homem mais poderoso de Inglaterra não se contenta com uma. Leva-as para os corredores duvidosos da corte e coloca-as à mercê dos seus mais básicos desejos. E elas não se mostram muito chateadas.

O filme de Justin Chadwick, realizador vindo das lides do pequeno ecrã, foge a um registo de épico histórico pelo afastamento que tem do contexto político e social. Há apenas algumas referências às origens da rainha Catarina, à cisão com o Vaticano e à sucessão no trono. Prefere antes centrar-se numa narrativa fechada sobre as tricas amorosas dentro do quarto do rei e sobre as suas vontades movidas pela luxúria.

Depois, há as duas marionetas do monarca. Natalie Portman e Scarlett Johansson que, só pela presença dos seus nomes no cartaz, farão valer significativas receitas de bilheteira. Elas são, de facto, quem sobressai. Duas irmãs em extremos opostos com interpretações competentes e sofridas (Portman mais do Johansson). O rei Eric Bana não terá sido a escolha perfeita mas acaba por se deixar levar pelas suas co-protagonistas sem que dele fique a imagem de um rei frouxo.

Se será ou não uma boa adaptação do livro, não poderá esta repórter assegurar. Que deixará desiludidos os que vão à procura de uma descrição histórica, não há dúvida. Mas, a construção de Duas irmãs, um rei acaba por conseguir surpreender precisamente por não seguir esse caminho e se fechar numa imagem cerrada e claustrofóbica das vontades de um ser ganancioso e das cedências de uma ou outra das raparigas Boleyn. Uma viagem pelo egoísmo nos corredores do palácio.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 16:34
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