Terça-feira, 4 de Março de 2008

A querer volta ao Fantas

Faltava o prometido relato sobre o Fantas. Precisaria de lá estar durante todo o tempo para absorver o espírito da coisa mas como o chefe precisa de mim na redacção não houve qualquer hipótese para tal maratona.


O tempo entre sessões é escasso mas chega para uma imperial, um snack ou uma fotografia de grupo. O auditório cheio não poupa os aplausos e grita com medo se o filme o exigir. Começámos às três da tarde com um filme sobre mortes e cogumelos alucinogénicos e, acabámos doze horas depois com uma caça ao tesouro. É assim um dia no Fantasporto.

O Festival internacional de cinema do Porto vai na sua 28ª edição e, por isso, muitos dos que cá andam não são novos nas andanças do fantástico. Há grupos em romaria até às várias salas. Riem, tiram fotografias, pedem para tirar fotografias e, não esqueçamos, vêem filmes. Porque a desculpa é a sessão de cinema mas o Fantas é mais. É local de encontro, de discussão e de copos. Onde os monstros andam à solta nas casas de banho e os realizadores convidados param no bar para uma cerveja e um dedo de conversa.

Às três da tarde, o primeiro gongo. Portas abertas, alguns a entrar e, na zona da bilheteira, uma fila que chega à passadeira vermelha da entrada. Já não há ingressos para as sessões da noite mas a maioria dos que aguardam ainda acredita nessa infíma possibilidade.

Ao filme inicial, a sala está a meio gás. Sem barulhos, com lugares vagos e o entusiasmo a fazer exercícios de aquecimento. Nos locais reservados para imprensa e convidados, senta-se um grupo de jovens. «Olhe, desculpe, podia tirar-nos uma fotografia?». Esta repórter acede ao pedido.

A primeira exibição foi a de Shrooms de Paddy Breathnach, um típico filme de terror teen à americana com direito à tradicional floresta bizarra, ao vulto assustador e a cogumelos alucinogénicos que pareciam turvar a vista aos protagonistas.

À medida que as horas vão avançando, a plateia aumenta com elas e as palmas no final da sessão parecem ganhar força. Pela tarde passámos por Tuya’s Marriage de Quanan Hang Chi, uma fita sobre os costumes da Mongólia com algum humor à mistura, e por Home of the brave, mais um filme para juntar à onda de retratos do Iraque com Samuel L. Jackson e Jessica Biel nos principais papéis.

Às nove e um quarto da noite, é hora de Takashi Miike com uma perninha de Quentin Tarantino. Chama-se Sukiyaki Western Django e deixa em euforia a sala a abarrotar.

Mas o fenómeno do serão viria a seguir. Mário Dorminsky avisou: «Este vai dar origem a discussões [das saudáveis] nos corredores. Mas o melhor é vermos». Estavam presentes um dos realizadores, Jaume Balagueró, e a actriz revelação dos Goya deste ano, Manuela Velasco. Os dois ficaram para assistir aos saltos conjuntos do público e aos genuínos gritos de medo que aqui e ali iam escapando entre público e imprensa.

No pulso os ponteiros já iam na uma da manhã mas muitos ficaram para a sessão da madrugada. Triangle é co-realizado por um trio (Tsui Hark, Ringo Lam e Johnnie To) e fechou o dia do Fantas com uma caça ao tesouro de três amigos com chatices financeiras.

Dali a noite segue pelo Porto porque tal como Mário Dorminsky fez questão de frisar, «No Fantas não se termina uma sessão como nos multiplexers, continua-se a discussão» nas horas seguintes. É que, no espírito do Rivoli não há quem se esqueça de que ali está a decorrer o Fantasporto.

De western spaghetti a zombies flick

O horário nobre da noite de Sábado foi, como em tudo no Fantas, eclético. Primeiro, uma paródia aos westerns spaghetti ao jeito oriental de Takashi Miike. O nome é Sukiyaki Western Django e podia bem ser um filme de Sergio Leone, não fossem os cenários orientais (um saloon de telhados asiáticos) e o humor extremista.

Estamos numa cidade das montanhas onde dois clãs rivais decidem enfrentar-se 700 anos após a sua última batalha. Quentin Tarantino (que não se percebe bem se influencia ou é influenciado por Miike) faz um favor ao rei dos cowboys orientais e participa como actor. Escusam-se as descrições abonatórias sobre as cenas em que aparece onde, para além das lendas disparatadas que conta, faz ainda referência à sua predilecção pelo anime (uma das personagens chama-se Akira).

Há um xerife, um lone ranger, dois gangues assassinos – com um dos líderes a citar Shakespeare – e uma espécie de história de amor imortalizada por duas ridículas rosas vermelhas.

Da próxima vez que a plateia do Rivoli ouviria a frase «vai ter início a sessão», o cenário seria bem diferente. REC é espanhol e leva-nos até um quartel de bombeiros que, por uma noite, recebe a visita de uma equipa de reportagem. O programada era ter uma jovem jornalista e o seu repórter de imagem a captar tudo o que um bombeiro faz numa noite. Mas esta não era uma noite noite vulgar.

Filmado pela câmara do operador de imagem, REC é uma viagem alucinante por um prédio que tem muito mais do que uma idosa a precisar de ser salva. Os habitantes foram atacados por um vírus que os transforma em zombies e que os deixa com uma vontade incessante de morder os outros. A ajudar à festa, a polícia coloca o prédio em quarentena com os moradores, a equipa de reportagem e os bombeiros lá dentro.

É um Cloverfield sem monstro, efeitos especiais ou uma grande cidade. Muito mais claustrofóbico, REC coloca o espectador dentro do edifício à espera que um dos infectados surja para o morder. Foi também o filme que teve o mérito de provocar ondas de susto no Fantasporto e alguns gritos que muitos dos presentes não conseguiram conter. Em Hollywood já se prepara uma versão em inglês.

Sukyiaki Western Django e REC são apenas uma amostra dos mais de 500 filmes em exibição no Fantas. O cartaz está distribuído por duas longas semanas e, até ao próximo Domingo, os monstros vão andar à solta no Porto.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:27
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