Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

No country for old men em antecipação

Falta uma semana para a estreia de No country for old men, uma tontice visto que é um dos filmes mais nomeados para os Óscares (e potencialmente o grande vencedor). Ou não será assim tão descabido no que diz respeito a receitas de bilheteiras...
Contudo, aqui a vossa amiga traz-vos já o textinho sobre o dito cujo para que possam ficar com água na boca. A missão é dizer-vos que NÃO podem, sob qualquer circunstância ou catástrofe natural, perder este no cinema. Aqui fica o artigo publicado no sítio do costume.

Os irmãos Coen fizeram a sua obra mais sangrenta sem perder o habitual humor negro e mantendo a inspiração do film noir. Este país não é para velhos é um conto sobre violência no seu mais genuíno estado. Uma viagem sincera por um Texas simultaneamente bizarro, frustrado e hipócrita onde, viver ou morrer são realidades dependentes de uma escolha banal. Cara ou coroa?

A paisagem é a de um Texas vazio, mudado, onde antes os xerifes escusavam de usar armas mas agora são assassinados dentro dos seus próprios gabinetes por psicopatas de sangue frio.

Um caçador em exercício da sua profissão encontra um amontoado de cadáveres com uma simpática quantidade de heroína a fazer-lhes companhia e uma mala recheada de notas e decide levá-la para casa na esperança de que ninguém note.

Os planos eram bonitos na teoria mas, na prática, há dois assassinos muito pouco amigáveis atrás da desejada maquia, determinados a não deixar que o cowboy Llewlyn (Josh Brolin) tenha descanso.

A premissa de Este país não é para velhos pode parecer simples mas em filme dos irmãos Coen que, por acréscimo, é baseado num livro de Cormac McCarthy (vencedor de um Pulitzer e escritor com predilecção pelo sinistro) nada é linear.

O filme é, mais do que uma espécie de western soturno à mistura com thriller sobre assassinos, um retrato sobre as violências do mundo e sobre os últimos redutos da luta pela justiça.

Anton Chigurh (Javier Bardem) é o símbolo para a primeira imagem. Um sociopata assassino com a calma de uma preguiça e o calculismo de um advogado. Chigurh é homem estranhíssimo que mata porque sim, escolhe as suas vítimas atirando a moeda ao ar e carrega consigo uma botija de gás que mata com tanta eficácia como arromba fechaduras. A personagem de Tommy Lee Jones surge em representação da segunda (a justiça). É um xerife em pré-reforma, meio apagado, sem grande esperança no bem do mundo mas que, ainda assim, vai à luta quando é necessário.

São estes dois homens em dois extremos diferentes que perseguem Llewelyn. Um para o matar, outro para o ajudar.

Depois há Carson Wells (Woody Harrelson), o outro assassino, mais benemérito do que Chigurh, igualmente sedento pelo dinheiro mas disposto a poupar a vida a Llewelyn.

No country for old men é o mais exímio exercício da dupla Joel e Ethan Coen. Reconhecidos por pular entre géneros (da comédia screwball ao film noir), os irmãos atingem em nesta fita um máximo de violência. É, sem dúvida, o seu filme mais sangrento mas não deixa de conter algumas passagens com o seu típico humor negro. Joel Coen admite, “é muito negro – e essa é a nossa característica distintiva. O livro também é bastante violento, bastante sangrento. O filme é, provavelmente, o mais violento que já fizemos”. É, de facto. Mas é também o melhor.

Comecemos pela suprema exibição de Javier Bardem, que dificilmente se poderá chamar de “secundária”, com um sotaque irreconhecível, um penteado bizarro, uma expressão inabalável e uma total entrega. Já venceu o Globo de Ouro e muitos garantem que lhe deverá valer o Óscar para melhor actor secundário.

Vire-se o foco para o trabalho irrepreensível dos Coen, tanto de escrita como de realização. A técnica é a de uma câmara atenta ao detalhe, sem precisar de recorrer a artimanhas para ser perfeita. As imagens estão ao serviço da história que, ora é cortante, complexa, ora é entretenimento de colar o espectador à cadeira.

Não há o que falhe em Este país não é para velhos. O ambiente desenrola-se numa tensão que delicia e que faz querer mais mortes. No final, apetece aplaudir a mestria dos Coen, a fotografia de Roger Deakins, a banda sonora de Carter Burwell e a interpretação inacreditável de Bardem.

Acumula oito nomeações para os Óscares. Vencer nas principais, será a prova de que a Academia está aberta a novos olhares e de que, na verdade, os lobbies não são assim tão fortes. Ainda se premeiam os melhores.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 11:38
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1 comentário:
De Victor a 23 de Fevereiro de 2008 às 23:18
Grande filme, grande argumento, grande realização, grandes interpretações.

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