Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

The Kite Runner: As eternas fábulas de Marc Forster



Marc Forster é um cineasta curioso. Filmou coisas tão díspares quanto Monster's Ball (Depois do Ódio), À Procura da Terra do Nunca (Finding Neverland) e, agora, este Menino de Cabul (The Kite Runner). De seguida, vai estar aos comandos do novo Bond, Quantum of Solace. A isto chama-se movimentação inteligente entre experiências.

Em qualquer uma das experiências saiu-se muito bem e em todas há, mesmo depois dos vincos dramáticos, uma espécie de positivismo muito próprio do cinema de Forster. Ele tem o dom de pegar em histórias pesadamente dramáticas e transformá-las em fábulas modernas com um colorido visual que só ele lhes sabe dar.

Em The Kite Runner, tudo foi feito com pinças. Filmar no Afeganistão, com crianças afegãs, sobre a realidade afegã e o nascimento dos talibãs não era tarefa fácil. A cena de violação infantil presente no filme foi mais do que polémica. Os pequenos actores tiveram de ser protegidos.

O resultado é suficiente para ter valido a pena passar pelos obstáculos. A acção conta-nos a história de dois meninos afegãos, um filho de um homem abastado, outro filho do criado dessse homem. O segundo faria tudo pelo primeiro.

Os dois fazem a equipa mais talentosa de Cabul no que diz respeito à arte dos papagaios de papel. Mas, o Afeganistão dos anos 70 já era um país em tensão. A discriminação entre etnias estava presente e os futuros talibãs começavam a formar opinião. Um episódio violento à mistura com a invasão soviética do país leva o menino abastado, Amir, para fora de Cabul.

Décadas depois, com a ameaça do terrorismo bem presente e o Afeganistão em estado de sítio, Amir terá de regressar a Cabul para uma última missão: ajudar o seu amigo de infância.

The Kite Runner mostra o outro lado de Cabul. As fragilidades mas também o que algum dia foi uma cidade onde muitos viviam felizes. Tem o mérito de fazer perguntas sem querer dar lições de moral. O choque da cena de violação não é mais do que o choque de um país deixado ao abandono e da sua revolta posterior. A América não é importante. Só aqueles dois meninos. Mais tarde, os laços de que aqueles dois homens não se puderam libertar.
Tudo com uma envolvência de fábula onde as cores dos papagaios não deixam esquecer que há em Cabul algo de positivo para lembrar.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 11:14
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