Sábado, 19 de Janeiro de 2008

Expiação: A praia de Dunquerque



A causa deste título é simples. Há, decerto, em todos os filmes uma cena, um diálogo, uma imagem que guardamos para mais tarde lembrar. Uma que se eleva acima das outras ou que, por alguma razão, nos diz mais do que as outras. De Expiação, embora possa vir a recordar outras coisas, há algo de que não me vou esquecer. Consigo imaginar-me daqui a uns anos a dizer: "O Expiação é bom. Não tanto quanto o tentaram pintar mas é consistente. Agora aquele plano da praia...Valha-nos Santíssima!".

As imagens em causa são um plano-sequência no qual Joe Wright sobrevoa, atravessa e rodeia os soldados desembarcados na praia de Dunquerque sempre cruzando caminho com o protagonista James McAvoy e terminando (uns bons minutos depois) como começou. Com uma vista geral sobre a praia.

Mas conversemos sobre o resto do filme. Expiação é a segunda longa de Joe Wright (que ressuscitou Orgulho e Preconceito) e vai buscar inspiração ao livro de Ian McEwan. Conta a história de uma separação entre dois apaixonados (Cecilia e Robbie) e do pecado da irmã mais nova, Briony (Saoirse Ronan). Tendo de escolher entre a prisão e a guerra, ele parte para a frente de batalha depois de uma acusação de violação supostamente testemunhada pela pequena Briony. Ela fica com uma recordação e com a frase "Come back to me" para acreditar no seu regresso.

Expiação poderia ser só mais uma história de amor de proporções épicas mas é a forma que Joe Wright escolhe para o seu filme que o afasta dessa categoria. Cenas clássicas como só ele sabe fazer acompanhadas de uma banda sonora fabulosa pensada ao milímetro para acompanhar as imagens. Os vários pontos de vista com que a acção nos é mostrada são o espelho da visão de cada um dos personagens.  A forma como diferem entre si e os momentos em que a estratégia é usada adicionam um ritmo frenético cheio de tensão e de nuances bem conseguidas.

Expiação tem romance, drama e tragédias mas não nos surge com a habitual envolvente de que já estamos fartos. Há uma contenção e uma forma de não dizer mais do que o estritamente necessário que lhe dá a novidade de que precisávamos.

Não será caso para dizer que é o filme do ano. Longe disso. As interpretações de Keira Knightley e James McAvoy são muito competentes mas não serão com certeza brilharetes que mereçam um óscar. Aliás, destaca-se muito mais excelente trabalho da pequena Saoirse Ronan (Briony). Genial maturidade para uma pequena de 13 anos. Mesmo, com o passar dos anos na narrativa (já com o corpo de Romola Garai), continua a ser ela quem ofusca os supostos protagonistas.

E, apesar de tudo o que de bom acabei de vos contar, a memória insiste em pensar na praia de Dunquerque. Nada a fazer.

Joe Wright continua a provar que consegue pegar no clássico e dar-lhe uma volta com a marca da sua novidade. É fácil perceber que essa é uma das razões principais para Expiação trazer junto a si a o pedido para o levarem em conta na hora de escolher os nomeados para melhor filme. Já levou o Globo de Ouro. Aguardemos por mais notícias.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 13:49
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