Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007

Lions for lambs: O difícil é fazer previsões

Trago-vos uma das estreias da semana. Chama-se Lions for lambs e chega-nos das mãos do veterano Robert Redford.
Se tentarem ler por aí algumas coisas sobre o filme, facilmente vão perceber que há um ódio generalizado em relação à obra. O caso verifica-se na imprensa internacional (com particular incidência na americana) e em muitos sites dedicados à sétima arte.
Por cá, ainda não consegui ter a noção geral de como vai ser a recepção. A minha, posso assegurar, é a melhor. Não só sou uma acérrima defensora de Peões em Jogo como digo alto e bom som que Meryl Streep deveria vencer algum prémio pela sua interpretação. Deixo-vos o que escrevi hoje no sítio habitual.

“O que raio estamos a fazer no Afeganistão?”. Quem o pergunta é Robert Redford no seu novo filme Peões em Jogo (Lions for Lambs). No mesmo dia, três cenários para três guerras muito diferentes: a física, a política e a dos ideais. A corrida à temporada de prémios está oficialmente aberta e o filme do veterano pode vir estar por lá, mesmo que seja apenas no campo das representações.

Estamos simultaneamente em três frentes de guerra. Somos espectadores de cada um dos tiros dados, de cada uma das estratégias utilizadas. Robert Redford, o anti-Bush, montou o espectáculo e quis provar o seu ponto de vista.

Num escritório do senador (Tom Cruise), Janine (Meryl Streep), uma jornalista de ideais engolida pela máquina rapidíssima que se vende a tudo o que venda, recebe uma oferta de um furo: os Estados Unidos estão, naquele preciso momento, a libertar pequenas equipas no Afeganistão. Uma nova estratégia. De grandiosa/espalhafatosa a cirúrgica/eficaz é a ideia que o governo quer fazer passar. De mortes a mais mortes é o que Janine acredita estar a acontecer.

Do outro lado do país, num escritório bem diferente, o professor universitário Stephen Malley (Robert Redford) tenta motivar um aluno promissor a lutar por uma carreira que possa mudar o estado político das coisas. Como exemplo a seguir fala-lhe de dois ex-estudantes que decidiram alistar-se como voluntários e que, neste mesmo dia, a muitos quilómetros dali, enfrentam membros da Al Quaeda no Afeganistão.

Confuso? Não. Originalmente estruturado, entusiasticamente contado ainda que demasiado extremista e profundamente demagógico. Alguém disse que um realizador não podia vincar uma opinião?

Do filme, o espectador guardará decerto a história muito bem contada que dá, pelo menos, que pensar; a perturbadora interpretação de Meryl Streep, que parece estar a colocar-se na fila para a temporada de prémios e a compassada realização do já vivido Redford, que sabe os tempos certos, as imagens certas e as palavras certas a dizer para prender a atenção de quem está na sala de cinema. Os três cenários de guerra acabam por se assemelhar às cenas de uma peça de teatro deixando a maior acção para as palavras e não para os contextos.

A obra criará certamente reacções muito mais profundas junto dos americanos, sejam positivas ou negativas. A realidade que Lions for Lambs apresenta, embora bem presente, ainda nos é substancialmente distante. Por estas bandas ficamos por uma análise de quem vê este grito de intervenção lá longe mas suficientemente perto para ter interesse. Por ter a faceta de lição político-moral tão marcante, Peões em jogo será insuportável para uns e entusiasmante para outros. O que não parece ser possível é haver meios-termos.

Dicas para o ver: abstrair-se totalmente (ou na medida do possível) de qualquer convicção política e apreciar o poder da manipulação através de um simples diálogo.
publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:34
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