Quinta-feira, 15 de Novembro de 2007

A história de quando ele perdeu o controlo

Primeiro, ouvir de novo algumas músicas. Depois correr até ao cinema. Um bom biopic sobre Ian Curtis para os saudosistas dos Joy Division e para todos os outros que se sintam na disposição para ver um bom filme.

 


Tinha 23 anos quando perdeu o controlo. Deixou uma banda, um nome e música que viria a influenciar muitos dos que hoje ouvimos. Control conta, a preto e branco, a curta mas intensa história dos Joy Division – melhor dizendo, de Ian Curtis. Um biopic pessoal e intimista, retrato de quem se tornou um ídolo e que o tempo se esqueceu de mandar embora. Comecemos a transmissão de que a canção falava.


O nome Control surge em homenagem àquela que se tornou uma das suas mais insistentes canções (She’s lost control). Conta-se que Ian Curtis foi buscar inspiração para a canção em causa a uma jovem epiléptica que tinha conhecido e que faleceu pouco tempo depois.

Os Joy Division tiveram uma curta carreira que foi suficiente para que, ainda hoje, sejam ouvidos por muitos e para que muitos sigam as suas influências. Por segundos pensamos que ainda os estamos a escutar quando no leitor de mp3 rodam músicas dos Interpol ou dos New Order.


Talvez a causa para a sua longevidade não seja única. Talvez seja um misto de boa música com apelativa tragédia mas a verdade é que o nome dura e a música toca mesmo depois de Ian Curtis ter perdido o controlo.

Agora, pelas mãos de um conceituado fotógrafo de músicos tornado realizador, chega-nos um biopic com o percurso da banda. Se quisermos ser mais realistas, chega-nos uma fita sobre a efémera viagem do vocalista desde o momento em que decidiu querer ser como David Bowie até ao dia em que escolheu enforcar-se na sua cozinha de Macclesfield.


Sam Riley é Ian Curtis, um jovem de Manchester de olheiras profundas e profissão pequena para os seus objectivos que alcança o sucesso muito rapidamente e que, inesperadamente, se vê num mundo acelerado de mais para o que tinha idealizado.


Fez tudo muito cedo. Casou aos 19 com Deborah. Aos 20 já a sua banda Warsaw se tinha transformado em Joy Division e subia aos mais desejados palcos. Pela mesma altura descobriu que sofria de epilepsia. Aos 23, depois de um casamento à beira da ruptura, de um caso com uma mulher por quem não se conseguia decidir e num intervalo de uma tournée europeia, cedo escolheu ir embora.


Esta podia ser a sinopse do filme de Anton Corbijn, holandês que já viveu de perto com U2, Depeche Mode e Morissey e que decidiu virar o seu tributo para a lenda de Manchester. Com Control, o realizador regressa a uma das primeiras bandas com quem trabalhou e fá-lo com só um verdadeiro conhecedor poderia fazer.


O biopic vive no estilo da banda e parece respirar o mesmo ar que as suas músicas num ambiente cool mas lúgubre, num passo rápido mas suficientemente aprofundado. Se Ian Curtis passava os dias assim, na permanente dualidade entre viver ou morrer, mulher ou amante, música ou vida familiar, só ele o poderia comprovar mas, como interpretação de um fã que recolheu as opiniões de quem ainda resta para falar sobre o protagonista, Control é um exercício exímio. As dúvidas, o sofrimento, as questões insistentes parecem palpáveis e nada é preto ou branco. Ficamos no cinzento, como imaginamos que aconteceria (ou que aconteceu) na vida real.


O elenco dá a alma ao trabalho que lhe foi incumbido e volta atrás no tempo para encarnar os personagens. Samantha Morton na pele da viúva rendida ao marido, contida e sofrida faz um trabalho notável. Sam Riley e seus colegas músicos conseguem enganar o espectador que julga estar a ouvir as versões originais de singles como Love will tear us apart ou Transmission.


O actor que interpreta o eixo do filme, ligou um dia ao agente e disse-lhe «Sou o Sam Riley, lembra-se de mim? Já escolheram o novo James Bond?». O agente disse-lhe que não e acrescentou «mas estão à procura de um Ian Curtis». E encontraram o ideal.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 12:08
link do post | comentar
3 comentários:
De Hugo Jorge a 15 de Novembro de 2007 às 12:28
Estou curioso por ver este filme

Hugo Jorge
http://dr-hugo-jorge.blogspot.com/
De _loot_ a 15 de Novembro de 2007 às 14:31
Estou ansioso por ir ver este filme :)
De Quanto Mais Quente Melhor a 15 de Novembro de 2007 às 17:38
Vejam, vejam!
É dinheirinho bem gasto. :)

Comentar post

mais sobre mim

pesquisar

subscrever feeds

posts recentes

Em coma...como a Noiva de...

Estrelas de cinema na pub...

Ensaios de luxo

Uma visita com Walt

Desculpas e mais desculpa...

O Sítio das Coisas Selvag...

Trailer de The Lovely Bon...

Ela quase emigrou mas est...

arquivos

Janeiro 2010

Outubro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

tags

todas as tags

links