Sexta-feira, 19 de Outubro de 2007

É do caraças mas não é azar!

Uma das estreias da semana é Um azar do caraças, uma surpreendente comédia de Judd Apatow que promete acabar com todas as previsões dos profetas da desgraça que afirmam já não haver boas comédias. Ora pois que há, meus senhores!

É mais ou menos isto.

Ela é uma aspirante a estrela da televisão. Ele é…vejamos, ele é um aspirante a mandrião. Quando a lei dos opostos é seguida à regra, o resultado final é Um azar do caraças. A nova comédia do pai de Virgem aos 40 e produtor de Superbaldas é muito pouco pateta, extremamente inteligente, deliciosamente hilariante e contém alguns dos diálogos para comédia mais inspirados dos últimos tempos.

Diz-se que Judd Apatow é, por estes tempos, o que de melhor Hollywood tem para oferecer no que diz respeito a comédias. Há quem não consiga ver para lá do óbvio e considere os seus projectos de mau gosto mas, uma parte considerável, entende que não estamos apenas perante histórias teen, dramas românticos e patetice sem inteligência. São os diálogos inteligentes, que encontram nas figuras mais carismáticas da cultura pop a sua inspiração, os responsáveis pelos sucessos dos filmes em que põe a mão. Isso e os gags, que não precisam de recorrer ao humor fácil para funcionar. E mesmo que recorram soam bem. São de bom gosto.

Em Um azar do caraças, há excelentes momentos de humor, ideias postas no papel que fazem maravilhas no ecrã e uma história bem contada sobre uma gravidez indesejada. Alison Scott (Katherine Heigl, que devem conhecer de Anatomia de Grey) é a grávida. Ben Stone (Seth Rogen) é o pai. Os dois conheceram-se numa noite mais quente em que Alison festejava uma promoção na sua carreira de apresentadora de televisão. Mais copo, menos copo, conversa para aqui e conversa para ali, acabaram o serão juntos e umas semanas depois Alison fez a descoberta sobre a consequência mais tramada daquelas horas menos responsáveis.

Daqui para a frente desenrola-se um conto bem estruturado, guiado pelas semanas de gravidez e pelas diferenças entre os dois protagonistas. Ela, mais bonita do que ele, inteligente, bem sucedida e ele feio – é o próprio a admitir «tu és mais bonita do que eu»-, preguiçoso e adepto do haxixe como calmante natural. A não ajudar à festa, a irmã e o cunhado de Alison têm um casamento com algumas complicações, situação pouco encorajadora para um casal que agora tenta começar uma vida comum.

Um azar do caraças não se atreve a entrar por belas lições de moral (entenda-se o tom irónico em belas) como «abortar ou não abortar». Prefere antes mostrar como é difícil manter uma relação de opostos e como pode ser complicado passar por uma gravidez, com tudo o que essa viagem tem de bom e mau.

Para além disso, há constantes referências aos marcos da cultura pop que, decerto, todos irão reconhecer. Por exemplo, Spider-Man 3 é apresentado como um filme para ser visto com os compinchas e sem mulher para chatear. Também para não deixar passar em branco são os cameos de figuras notáveis como, por exemplo, Steve Carell que, durante uma caminhada pelo tapete vermelho rejeitam consecutivamente ser entrevistadas pela muito grávida Alison.

No final, Um azar do caraças não é azar nem golpe de sorte. É talvez uma das melhores e mais airosas comédias deste ano. Para quem pensa que já não há forma de inovar neste formato, espreite no cinema mais próximo o que um bom texto, bons actores e umas boas ideias para imagens podem fazer por uma história que, à partida, podia ser só mais um acumular de piadas que se perdem no final da sessão.

Um azar do caraças fica para além das suas duas horas na tela. Tem o efeito inesperado de pôr o espectador a pensar em bebés e relações durante uns bons tempos. De uma forma risonha, claro.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 22:14
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