Sexta-feira, 28 de Setembro de 2007

Não faria reserva neste restaurante…

Apesar de já ter percebido que são muitas as opiniões contrárias à minha, aconselho, obviamente de acordo com os padrões do que me parece um bom filme, que evitem Sem reserva. Aqui ficam as notas soltas que andaram esta semana pelo estaminé do costume.


Se Ratatui foi um fantástico conto sobre culinária e sobre os sonhos de um chef, Sem reserva é uma desinspirada - o termo correcto é aborrecida- comédia romântica sobre uma chef com a mania dos detalhes e um cozinheiro pouco preocupado com a organização no espaço de trabalho. O velho conto do regrado que encontra o sem regras volta ao grande ecrã para dois efeitos: entediar e abrir o apetite.

 

Em 2001, o filme alemão Bella Martha contava a história de uma cozinheira demasiado organizada e desligada do resto do mundo que se vê obrigada a tomar conta da sua pequena sobrinha depois da morte da irmã.  

Seis anos depois, Scott Hicks decidiu levar a ideia para Hollywood, contá-la à maneira americana e incluir as devidas estrelas para assegurar a receita de sucesso.  

Catherine Zeta-Jones seria a dita chef. Aaron Eckhart – a tentar o registo da comédia romântica – seria o cozinheiro atrevido e Abigail Breslin, a menina de Uma família à beira de um ataque de nervos, asseguraria a figura infantil da fita. 

Passou a chamar-se No Reservations (Sem reserva) e, em inglês, contou o que se segue. Kate (Zeta-Jones) é quem manda na cozinha do requintado e bem cotado restaurante 22 Bleecker Street. Nada pode falhar nos pratos, no serviço e no toque final assim como nada pode errar na vida aparentemente infalível de Kate. À noite, ao passar a porta do estabelecimento onde trabalha, leva para casa os mesmos métodos, manias e maneirismos.  

Um dia, a sua organizada vida sofre uma drástica alteração inesperada. A sua irmã tem um acidente, deixando a Kate a tutela da pequena Zoe (Breslin). As rotinas ficam viradas do avesso, os horários ficam descontrolados e a racionalidade que Kate usava insistentemente tem de desaparecer. Como se não bastasse, chega à sua cozinha um novo chef de métodos pouco ortodoxos (Eckhart) que, pasmem-se, vai mudar a sua vida para sempre.   

Sem reserva é exactamente aquilo que aparenta ser, mas de uma forma ainda mais linear. O típico argumento romântico que balança entre o sentimentalismo e a cena humorística, sempre sem se atrever e nunca saindo dos padrões daquilo que é socialmente aceitável. Não se arrisca nos diálogos, nem inova nas imagens que se resumem a um vaivém entre a cozinha e o apartamento, os pratos e a comida. 

Acima de tudo, Sem reserva é entediante e não permite ao espectador viver um único momento de surpresa. Desde o primeiro plano, em que se adivinha ao longe quais vão ser as relações e qual vai ser o rumo da narrativa. Ainda mais incómodo é perceber-se percebe-se à distância qual vai ser a frase do livro de «falas-que-se-devem-usar-naqueles-segundos-bonitos-que-antecedem-o-beijo-dos-protagonistas» aplicada na cena em questão. 

Se Ratatui não tivesse a magia, a originalidade e a aura de clássico que a Pixar lhe impôs, o resultado poderia ter sido algo parecido com este Sem reserva.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 19:20
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1 comentário:
De Anónimo a 10 de Outubro de 2007 às 15:16
Porquê comparar Ratatui a Sem Reserva? Os objectivos, parâmetros e histórias a contar são completamente diferentes e cristalizam-se em conclusões igualmente diversas. Acresce que as críticas partem sempre duma pré caracterização do filme (ao caso, a "estafada" comédia romântica), ela mesma, um "cliché"! Sem Reserva não é um grande filme nem tem pretensões a sê-lo. E, contrariamente ao que a crítica refere, não vi ninguém sair do cinema entendiado...

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