Sábado, 11 de Agosto de 2007

The host: Um monstro coreano…uma monstruosidade cinematográfica

Este, senhores, é para ver! Estreou esta semana e faz as delícias dos que andam fartinhos desta silly season até ao tutano. Já que estamos numa de desancar, ontem vi uma "coisa" (ao contrário do que outros já disseram sobre outros filmes, este sim é uma coisa) que me faz sentir na obrigação de vos dizer: Quando estrear The Last Legion, por favor, afastem-se das salas de cinema. A não ser que se queiram deliciar com parvoíces, incoerências e nulidades. Ou que queiram ver bons actores a desgraçar as suas vidas. Ou para os meninos, uma jeitosa a abanar espadas. Para isso serve.

Bom, mas vamos a coisas boas. Espreitem o que disse na Quinta-feira no sítio do costume.

“Um encontro entre Godzilla e Alien”. “Nunca houve um filme de monstros como este”. Muitas são as taglines lançadas mas nenhuma acerta no teor. A criatura não é uma colagem de retrospectivas. Não é uma reprodução de inspirações. É uma aventura vista da Coreia, com um ponto de vista sufocante mas caricatural. A servir-lhe de base está uma história inesperadamente eclética que nos leva do riso aos tremores, do drama à comédia. Aproximemo-nos do monstro....sem medos.



Em Seur, na ponte sobre o rio Han (não Kwai) um objecto estranho faz as delícias das máquinas dos transeuntes. Da curiosidade, o cenário passa para o caos que só uma criatura terrífica e sobre-humana poderá causar.



O bichinho nada, corre, salta e come qualquer sinal de vida que atravesse o seu caminho. O não muito simpático animal parece ter chegado de outro mundo mas, na realidade, o que o gerou foi algo muito terreno. A criatura
começa com uma cena que parece destoar da acção que se lhe segue e que “acusa” a mão humana" dos males da humanidade. Afinal, os resíduos tóxicos despejados para o cano de uma morgue (cenário mórbido-caricato), vão parar ao rio e são, em última análise, os pais do ser assassino.

A imagem coberta de fumos maléficos não é mais do que um jeito metafórico de chamar criminoso ao Homem. O Homem, mais criminoso que o dito monstro, acredita que este é o hospedeiro de um perigoso virus (daí o nome inglês The host) . Esse mesmo homem, munido dos já familiares fatos amarelos (e de outras cores também) desinfecta tudo à passagem e tranca tudo o que esteve em contacto com o anfíbio de dentes asquerosos e cauda excessivamente comprida. A novidade vem fora da monstruosidade, onde uma comum família na Coreia (o que quer que isso seja), persegue incessantemente a filha desaparecida e aproveita para uma reunião/intervenção que, não fosse o ataque fulminante, nunca teria acontecido.



Joon-ho Bong, coreano de renome, dirige a fita que causou burburinho na não muito longínqua Cannes e foi o realizador premiado no muito próximo Fantasporto deixando a crítica e os espectadores menos afortunados ainda mais ansiosos pela sua chegada às salas de cinema. Eis que chegou.


A visão é totalmente coreana: sempre muito próxima dos actores (grandes planos abençoados!), sempre muito chegada a uma visão que mais se assemelha à animação manga do que a personagens de carne e osso. Mas é aí mesmo que reside a beleza de A Criatura. A face da pequena Hyun-seo (Ah-sung Ko), filha do protagonista, tomada como morta pelo monstro mas levada bem viva para o seu covil, é a culpada por algumas das imagens mais deliciosas do filme. O protagonista, Gang-du (Kang-ho Song), é uma miscelânia indecifrável entre o comic relief mais desajeitado e o heroísmo mais exaltado.



O próprio espectador não chega a perceber na totalidade se se deve rir ou contrair, mas o que é facto é que se convence, mesmo que o monstro não seja o mais assustador que já vimos. Não é a isso que A Criatura se propõe: a ser “o melhor filme de monstros de sempre” e “uma mistura entre Godzilla e Alien”. Chega com a missão de ser um retrato familiar divertido mas proporcionalmente dramático e uma ACESA crítica ao mundo onde se constrói e se destrói, onde se gera e se é impotente perante a criação. Esta é uma história de heróis sem o serem, sem o pretexto da função (não são polícias nem militares) e sem uma causa mundial para defender (apenas querem salvar a pequena). A verdade é que, sem o pretender, A Criatura acaba por atingir o que as frases citadas tanto apregoam tornando o filme mereceder de vénias contínuas no final da sessão.



É uma fita para os que gostam do género. Decerto não agradará aos paladares mais doces ou aos gostos mais reflexivos. Aos que se inserem na classe “eu-gosto-de-ir-a-ciclos-de-terror-ou-cinema-asiático-ou-às-duas-coisas”, A criatura é o filme ideal. Lá para as bandas de Hollywood já foram comprados os direitos para uma versão americana. É, por isso, altura de começar a temer o monstro em que poderá ser transformado este bem conseguido fruto de produtos tóxicos que, no entanto, resulta num produto em nada prejudicial à saúde...e ao cultivo cinematográfico.


publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 09:57
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