Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

Dia de Surf: Um documentário sobre, imagine-se, pinguins surfistas

Estreia hoje mais um filme de animação deste Verão. É certo que não fará concorrência aos demais e talvez nem mereça representar um adversário à altura mas tem pontos positivos.

Aqui ficam as minhas ideias sobre o dito cujo publicadas hoje no sítio do costume.

Assim que apareceu a primeira onda, apareceram os primeiros surfistas. É este o «Era uma vez» que o pinguim Cody Maverick (Shia LaBoeuf) usa para começar a sua história. Uma história sobre pinguins surfistas de todo o mundo retratados num documentário em jeito reality TV. A Sony quis fazer um filme documental e triunfou no ponto de vista original e intrusivo. Quanto à história, que pouco se afasta do ponto de partida, perde-se numa onda mais perigosa e não chega a voltar à tona.

Para contar o início de tudo, Cody Maverick, o jovem pinguim surfista que se fosse homem teria cabelo louro e um rosto tipicamente americano, remonta a tempos em que se escrevia através de hieróglifos. Nestes, atipicamente, há representações de animais com pranchas de surf. Nesse início relembrado, a estrela era Big Z (Jeff Bridges), campeão que viajou por todo o mundo e que, quando visitou a cidade-natal de Cody, Shiverpool, ofereceu ao pequeno um colar que este nunca mais largou.

A história é esta: esse pequeno segue o sonho de se tornar no seu ídolo aparentemente já falecido, Big Z. A família não lhe dá mérito, os vizinhos não o levam a sério mas, no entanto, uma equipa de televisão quer fazer um documentário sobre ele. É aqui que reside o lado original de Dia de Surf. No facto de a fita ter um aspecto de documentário à mistura com uma espécie de reality TV que transmite eventos desportivos. Visualmente é arrojado, original e convincente. Leva-nos pelas ondas como se fossemos um operador de câmara dentro de um barco. Viaja até aos momentos mais intímos (se bem que é difícil imaginar um pinguim a viver epifanias) tentanto mostrá-los da forma mais casual possível, como se acontecesse na realidade.

A câmara acompanha Cody até ao maior campeonato de surf do mundo, uma homenagem ao supostamente falecido Big Z, com as maiores ondas de todas e com as maiores estrelas do planeta, passando obrigatoriamente por Kelly Slater em versão pinguim. Se quiserem saber o resto, basta consultar muitos outros filmes de animação que exploram a narrativa do pequeno no meio dos grandes, do indefeso que se torna um lutador e da criatura que não teve figura paternal mas que encontra alguém para a substituir não esquecendo, obviamente, a inevitável história de amor. Nada de novo que nos faça apegar à acção, portanto.

Para dar o pretendido tom documental ao filme a Sony usou uma técnica de gravação de vozes diferente da habitual. Em vez de cada actor ficar sozinho no estúdio, em muitas ocasiões vários contracenaram (em voz). A ideia era provocar, em alguns momentos, sobreposições e atropelos, típicos da naturalidade. Também a qualidade da animação, está no nível de excelência que se pretendia, com nuances bem desenhadas e um aspecto realista (qualquer que seja o aspecto realista que um pinguim pode ter).

Dia de Surf é mais uma oferta dos grandes estúdios para o tempo quente que tenta concorrer directamente com Simpsons: O Filme, Shrek, o Terceiro ou Ratatouille (este último estreará por cá apenas na próxima semana). Não terá hipótese contra nenhum dos três quer seja pela máquina de marketing poderosíssima dos filmes em questão ou pelo resultado final, em todos bastante superior ao desta aventura de pinguins.

Dia de Surf acaba por ser um teen flick à boa maneira americana, com uma banda sonora típica dos mesmos que, no entanto, se demarca deles por uma razão: a surfar não estão adolescentes louros e bronzeados mas sim colónias de pinguins.

publicado por Quanto Mais Quente Melhor às 16:55
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